quarta-feira, 27 de maio de 2020

POLITIZAR EM HORA ERRADA. ESPECIALIDADE DELES.

É incrível como o Brasil se especializa em fabricar tumultos políticos.

E quase sempre em hora errada.

Enquanto na Argentina e em outros países situação e oposição esquecem as divergências e se dão as mãos para combater o vírus, aqui nossos políticos fazem questão absoluta de acirrar os animos e agravar todo esse momento terrível que passamos.

Politizamos "tudo" nesse País e de hábito politizamos errado.   As politizações são sempre convenientes, buscando proveito próprio e levantando bandeiras.    Levantamos muitos pavilhões, menos o do Brasil.

Prioridades sociais nunca foram atacadas frontalmente pelos homens públicos.
Veja nossas condições sanitárias, e por extensão as de saúde para a população.

Erramos aqui por baixo votando nas pessoas erradas, erram eles lá em cima por negligência, irresponsabilidade, vaidades e um rol de coisas mais.

Centenas morrendo diariamente e os senhores da política se digladiando e é claro pensando em reeleição.    Sejam eles, presidente, governadores, prefeitos e etc etc etc.

É só nisso que eles pensam.

Falta amor, sentido humanitário, responsabilidade social.
Não tenho nenhuma admiração por qualquer político.   Ao longo do tempo só me decepcionei com eles.  Errei todos os meus votos.    Acreditei e fui traído.

Me assusto ainda quando vejo alguém pedindo pra tirar selfie com políticos, abraçando, beijando ou venerando de alguma forma esses irresponsáveis.

Fossem bons os nossos políticos e hoje o País estaria em condições bem mais favoráveis, pois há décadas e décadas ( incluindo a ditadura militar ) eles estão no comando.

Eles são egoistas, hipócritas, aproveitadores de situação, deixando quem realmente interessa ( o povo ) em última instância, ou seja, somente na hora das eleições a pedirem o voto.

Se ainda há alguma esperança ela se deposita em nossas crianças, nossos jovens, as novas gerações, que com outra mentalidade talvez possam atuar com respeito e amor ao próximo, quebrando a rotina dos maus administradores, quando não, ladrões do dinheiro público.

Tá difícil.






segunda-feira, 25 de maio de 2020

VADÃO, EXEMPLO!

O técnico Vadão foi longe demais na carreira por ser do jeito que era.

Cara simples, maneiro, ético, na dele, inúmeras vezes foi passado para trás no futebol.

Infelizmente os bastidores do futebol são truculentos, sem qualquer ética, onde os "espertos" sempre tem vez.

Mesmo assim, Vadão treinou grandes equipes, revelou muita gente, atuou no exterior, a seleção feminina, tudo graças ao seu talento, competência e seriedade.

Um dia em Marilia no hall de um hotel ele abriu o coração para este jornalista e contou as puxadas de tapete de que foi vítima até aquele momento.
Vadão não tinha empresário e era sempre passado pra trás.

Sofreu também certo preconceito na seleção feminina, pois grupos feministas queriam uma mulher comandando a equipe.
Ele sofreu com isso e trabalhou pressionado, mas mesmo assim apresentou excelentes resultados à frente do selecionado.

Enfim, Vadão deixou o registro de sua brilhante história no futebol.
Poderia ter ficado mais com a gente e ainda oferecer grande contribuição a esse esporte, mas assim quis o Grande Comando e há razões para tal, com toda a certeza.

Seu exemplo ensinou muita gente, Oswaldo Alvarez.

Legado muito rico, precioso.


quarta-feira, 20 de maio de 2020

CLASSE POLÍTICA. INSENSIBILIDADE TOTAL.

Perder a esperança, jamais.
É de lei na ordem da vida.

Mas não dá para ignorar o momento severamente GRAVE que estamos vivendo.

Enquanto o vírus segue agindo celeremente, a gente vê nossos políticos batendo de frente, fazendo queda de braço, e o povo completamente perdido aqui embaixo.

É o caos.

União de forças agora é que seria uma grande arma para combater o corona.

Quando criticamos a classe política fica as vezes a dúvida se não estamos sendo muito cruéis com esses senhores.    Mas com o passar do tempo firmamos cada vez mais a convicção de que eles são horrorosos, TODOS.    Os que se manifestam e os que se omitem.

O povo só é importante para essa classe em tempos de eleições.

Vejam por exemplo nesse presente momento enquanto o País inteiro aperta os cintos e muitos passam fome, se os homens do Congresso e do Executivo falam em abrir mão dos salários ou de redução deles?
Seria um ato coerente e humanitário, solidário.
Os senhores dos tribunais superiores, igualmente, falam em parar de receber seus polpudos ganhos?

Ah Brasil!

Que pena.
Poderia ser bem diferente tudo isso.

Poderíamos estar atravessando essa tempestade de MÀOS DADAS, unidos.

Enquanto isso, vidas vão sendo ceifadas e famílias colocando luto em seus corações.

Mas isso não é importante para os políticos brasileiros.





sexta-feira, 15 de maio de 2020

O TIME NÃO ESTÁ UNIDO.

O Brasil continua contando os mortos pelo coronavírus.
Números e mais números.
Tem quem se assuste e tem quem duvida e segue colocando a própria vida em risco e de quem o cerca.

Estamos num maremoto e com um alto comando que dá de ombros para a tempestade.

É claro que a economia precisa sobreviver mas para que ela sobreviva é necessário PESSOAS saudáveis a movimentando.    E as pessoas estão morrendo.     E as pessoas estão com medo de ir trabalhar.

Está faltando UNIDADE nos altos comandos para que o combate seja MACIÇO, UNIFORME, efetivo.

E com tudo isso o vírus bate palmas e segue destroçando vidas e famílias.

Pensei que esse evento da pandemia fosse UNIR os DESUNIDOS na esfera política, e em outras esferas da sociedade, mas o que se vê é exatamente o inverso.

O vírus segue forte, imbatível na sua missão, e nós aqui fazendo queda-de-braço e desafiando algo que é real, destruidor.

Não estou cravando que a tarefa é fácil de ser conduzida, administrada, mas esperava-se mais UNIÃO, uma remada forte na mesma direção, de TODOS.

É momento de sofrimento geral.    De tormento geral.     Sabemos disso e estamos sentindo na pele.

E o sofrimento é GERAL.      O vírus não discrimina, ele segue sua caminhada e deixa patrões, empregados, brancos, negros, amarelos, pobres, ricos, TODOS na mesma situação de pânico e incertezas.








quarta-feira, 22 de abril de 2020

A COPA DE 86 E O REI.

Copa do Mundo do México 1986.

Na nossa equipe da TV Bandeirantes estava Edson Arantes do Nascimento.

Não precisa dizer o que acontecia quando Pelé chegava ao Centro de Imprensa mexicano e quando ia aos estádios para comentar os jogos, certo?
Um corre-corre, uma loucura pra segurar os fãs jornalistas estrangeiros que queriam autógrafo e marcar entrevistas com o Rei.

Certa vez Pelé estava dando uma entrevista em nosso estúdio para a BBC e se aproximava o horário do início do programa da Band.

Mário Marcos Girello, saudoso Maraco, se agitava do lado de fora do estúdio e sempre que podia mostrava o relógio para Pelé insinuando que tinha de encerrar o papo com os ingleses.

Pelé, como sempre atencioso e solícito com quem o abordava, evitava dizer aos entrevistadores que o estúdio ia ser ocupado para um programa da tevê brasileira.

Professor Júlio Mazzei, de saudosa lembrança, tomou a iniciativa de chegar aos produtores da BBC e pedir para que a entrevista fosse encerrada.

Nosso Maraco quase infartou mas faltando uns 5 minutos para começar o programa o estúdio foi esvaziado e tudo deu certo mesmo com a correria para os ajustes finais de produção e técnica.

Num outro dia viajei com Pelé e Teti Alfonso para uma transmissão em Guadalajara no jatinho do comandante Rolim.
Chegamos e fomos direto para o estádio.
Estacionamos o carro um pouco distante da entrada do estádio.
Tínhamos que andar uns 200 metros aproximadamente.

E aconteceu o que temíamos.
Em poucos segundos formou-se ao redor de Pelé um amontoado de pessoas, fãs do Rei, pedindo abraços, autógrafos, fotos e tudo mais.
O tempo ia passando e não tínhamos muito tempo para o início da transmissão.
Teti Alfonso nervoso procurava afastar aquela gente e abrir passagem para Pelé se dirigir à posição da Band de transmissão.
Mas era impossível.

Detalhe:  não tínhamos seguranças contratados como se utiliza nos dias de hoje.

Teti gritou para que eu me dirigisse ao estádio e que Pelé iria se atrasar, evidentemente, até se desvencilhar dos torcedores.

Em resumo, Pelé só chegou à nossa posição de trabalho no estádio com 10 minutos de bola rolando.

E durante a transmissão também não davam sossego ao Rei.  Sempre alguém querendo um autógrafo e um afago de Pelé.
Os seguranças da FIFA tiveram trabalho e eu só tive um "meio comentarista".






domingo, 19 de abril de 2020

6 ANOS SEM LUCIANO.

Lembrar LUCIANO DO VALLE e sempre homenagea-lo é fazer justiça a quem viveu toda a carreira de comunicador e também de empresário com lisura e alta dedicação, sem falar do seu talento.

Desde seu início em Campinas no rádio local até seu crescimento profissional no mais alto escalão, Luciano sempre primou pela dedicação e amor ao que fazia.

Revelou-se também como empresário competente quando deixou a TV Globo e o primeiro posto de narrador para enveredar no empreendedorismo.

Como locutor impressionava pela voz potente e pela vibração que conseguia colocar em suas narrações.
Narrava as mais diversas modalidades com o mesmo nível de qualidade.

Já como empresário acolheu sob suas asas muitos profissionais que estavam desempregados ou com baixo reconhecimento em outras empresas e montou um forte time na Band.

Levou para junto de si jornalistas que também eram tidos como seus desafetos e os contratou, além de abraça-los carinhosamente na nova empreitada.

Mas num 19 de abril de 2014 pouco antes da abertura do Brasileirão e num ano de Copa do Mundo ele foi convocado para as plataformas de Cima e teve que partir.
Foi muito triste e até hoje a saudade bate forte.

Será sempre lembrado com muita ternura por quem o conheceu bem de perto e é claro pelos fãs em todo o País.








quarta-feira, 15 de abril de 2020

ROBERTO RIVELLINO, CRAQUE EM TUDO.

O canal Sportv tem mostrado jogos da seleção brasileira em Copas do Mundo, Copa das Confederações e etc nesse momento de paralisação dos grandes eventos esportivos.

Acompanhando um jogo do Brasil na Copa de 1970 me lembrei de uma passagem com Roberto Rivellino durante a cobertura do Mundial de 86 no México.

Riva estava na nossa equipe da Band e tive a imensa honra de participar com ele em muitas transmissões ao longo dos anos.     Depois também pelo Sportv.

Estávamos no México cobrindo a Copa de 86 e tínhamos uma escala de trabalho no interior do País.
Um jatinho da TAM lá estava à disposição da equipe para as viagens mais longas.

Riva naquele dia me propôs irmos de carro pois no final daquela noite sua esposa iria chegar do Brasil e ele queria busca-la no aeroporto da Cidade do México.

Topei e lá fomos nós.

Nosso motorista era muito bom e engraçado.    Nos divertimos a viagem inteira.

Terminada a transmissão logo pegamos a rodovia de volta à capital mexicana.
Tudo estava dentro da programação e chegaríamos ao aeroporto com boa antecedência para Riva receber dona Maísa, sua esposa.

Depois de hora e meia de estrada o IMPREVISTO.
O carro quebrou.
Escuridão, tensão, o motorista mexendo e mexendo no motor, mas nada da máquina reagir.
E os minutos passando, evidentemente.

Em determinado momento resolvi parar alguém e solicitar uma carona.

Deu certo.    Uma boa alma atendeu ao meu aceno à beira da estrada.

Entramos no carro e Riva pediu ao condutor que acelerasse pois tínhamos horário para chegar à Cidade do México, no que foi prontamente correspondido por ele.

Meia hora depois um pedágio.
Luzes, tudo muito claro.

Eu sentado à frente e Rivellino no banco de trás.

Eis que com as luzes o motorista olhou pelo retrovisor e RECONHECEU a "Patada Atômica" da Seleção na Copa de 70.    
A reação foi espetacular.
Ele começou a gritar, bater com os punhos no volante, botando pra fora a sua emoção em dar carona à grande personalidade do futebol mundial.
Me emocionei com a emoção daquele simples cidadão mexicano e sua idolatria por ROBERTO RIVELLINO.    Havia 16 anos do Mundial de 70.

Mas teve um porém.
Com a euforia ele desacelerou e mais olhava para trás do que pra frente.
Estávamos andando a 60km por hora e isso irritou muito o Reizinho do Parque.

Conto tudo isso para ressaltar a magia daquela seleção de 1970 e o altíssimo reconhecimento do povo mexicano por ela e nossos estupendos craques.

Momento marcante, sem dúvida alguma, para o meu rol de lembranças da convivência com Riva e tantos outros craques do nosso futebol.

Detalhe:  chegamos à tempo no aeroporto.

* em tempo:  pude conhecer ao longo dos anos de convivência com Riva seu grande valor interior, seu grande coração.   Debaixo de seu temperamento aparentemente explosivo tinha um ser humano de grande generosidade.    Depois convivi com ele em mais Copas e grandes eventos pela Band na equipe de Luciano do Valle.