quinta-feira, 26 de novembro de 2020

MARADONA

Assim como não quero que avaliem minha vida particular, nunca entro no aspecto pessoal de outrem.     Na minha profissão as vezes temos que avaliar o desempenho técnico de jogadores e treinadores, porém sem jamais tocar no que eles fazem fora de campo.

Primeiro porque não me julgo com autoridade moral para meter o bedelho pois tenho tenho mil e duzentos defeitos, e depois,  que julgar e condenar alguém é algo muito forte e onde poderemos incorrer em injustiça e desonestidade.   Não temos competência para tal e nem o direito, assim entendo.

Sempre procuro respeitar o que as pessoas são, e procuro entende-las em suas falhas e deslizes.

Apontar o dedo nunca é da nossa conta, na verdade.     Devemos orientar e corrigir rotas dos nossos entes mais chegados, desde que eles aceitem, porque é nossa obrigação educa-los e prepara-los para a dura vida que os espera.

No caso de Maradona, da mesma forma fico indignado com os comentários duros e cheios de autoridade e arrogância sobre o que ele fez da sua vida.     É claro que entendo serem os idolos sempre os mais visados e cobrados, isso é natural, mas precisamos exercitar o nosso comportamento de nunca julgar, e condenar.     Fechar a boca.

Cada um tem seus problemas e cabe a cada um procurar resolve-los.     Quem está de fora acha que tem todas as soluções e que faria tudo certo no lugar do envolvido.    É a comodidade de dar palpites, de estar distante das questões e simplesmente palpitar.

Devemos ter compaixão dos que erram, assim como gostamos da compaixão das pessoas para com os nossos erros.      E que são muitos ao longo do tempo.

Deixo claro que também não julgo quem assim procede, ou seja, quem abre a boca e tem todas as soluções para a vida do outro, mas o mundo seria mais leve e dócil se cuidássemos do nosso umbigo, que por sinal está sempre sujinho e precisando de banho.

Maradona foi o grande jogador, o craque.    Encantou com a bola nos pés.    Mas "esteve" humano e portanto frágil e suscetível de erros.

Assim como todos nós estamos enquanto não formos "chamados".     


quinta-feira, 19 de novembro de 2020

O VIRUS DA POLÍTICA. PODEROSO!

 A vida é cheia de dilemas.   Grandes desafios.   Obstáculos.  Além, é claro, de bons momentos e de relances de felicidade.

O grande dilema que sinto nesse momento entre nós pobres mortais é:  acreditar na classe política ou na ciência médica?

Se for pelo histórico delas é evidente que devemos ficar com a Ciência Médica, que tanto evoluiu ao longo de décadas.  Sem comparações, é claro.    

A classe política só nos decepcionou e continua a nos decepcionar.    Tanta gente já passou por ela e pouquíssima coisa melhorou para o povo, este que deveria ser o foco principal de nossos legisladores e executivos.     Concluímos, tristemente, que os políticos só se lembram de nós em ano de eleições quando ficam de olho no nosso voto.

A questão da pandemia, dos remédios e da vacina, é abordada hoje pelos homens públicos como se eles fossem doutores na área médica.    Palpitam, insinuam tendências, regem comportamentos, receitam medicamentos, discursam como se estivessem num palanque, e desafiam a Ciência que tanto estuda e pesquisa.     

Profundamente lamentável o histórico da classe política brasileira.    É muito bla bla bla e quase nada de ações sociais e de união suprapartidária nas crises.    É ódio imperando nas campanhas, diz que diz, mentiras, ataques pessoais, arrogância, em suma, um festival de bizarrices e de enganação.

Ainda me espanto quando constato pessoas idolatrando políticos.    Haja psicologia para explicar tal comportamento.    Somos contundentemente triturados por eles em todas as áreas e ainda queremos carrega-los no colo, endeusando com as abomináveis selfies, aperto de mãos e beijinhos.     

Já disseram que toda idolatria é doentia.     Ela cega, bloqueia as mentes, mexe com o mais baixo instinto das pessoas e as reduz a nível raso de inteligência e a discernimento zero.   

Querer negar a ciência médica é como estar doente e se negar a seguir as orientações técnicas e a tomar os remédios.     

Claro que cada um tem seu livre arbítrio, seu direito de escolha, e sempre deve ser respeitado, mas há momentos graves - como esse que estamos vivendo - que o prevalecimento do bom senso deveria ser prioridade.      Salvar vidas, ou procurar salvar, é dever básico nosso.

Quando a gente constata que em meio a uma pandemia histórica políticos duelam por protagonismo como se fosse uma competição esportiva, ao invés de se juntarem e formarem bloco forte no combate a ela, mais nos  convencemos  da irresponsabilidade de todos eles.

Irresponsabilidade, frieza, individualismo, insensibilidade.  Despreparo.   Por sinal, marca registrada deles.

O Brasil sempre foi vítima da "má política".    Política existe e é necessária em qualquer atividade, mas a "má política" é uma doença grave, arrasadora, sempre condenável.    E a cada eleição e à cada nova safra de políticos que chegam às assembleias e cargos executivos, desanimamos fortemente.    Pouco ou quase nada muda.     

Sem perder a esperança, obviamente.    Mas conheço muita gente que já jogou a toalha e abandonou as urnas, cansada, decepcionada com tudo o que viu em décadas e décadas.   E não tiro a razão dos que "aposentaram" o voto.    Há limites em cada um de nós, não é?

Pedem tanto para que votemos "conscientemente" e isso me parece temos feito, porém quem elegemos não tem a mínima intenção de ser CONSCIENTE, responsável, ético, comprometido.   É o que temos visto há muito tempo, infelizmente.      Nosso País não tem saído do lugar.

Ah mas temos as exceções, alguns poderiam estar dizendo agora, sim devemos ter.    Porém a análise tem de ser feita pelo TODO, por tudo o que temos visto desde antanho.     

Há crimes e crimes que os homens de paletó e gravata, mais os penduricalhos, cometem, mas sonegar união e solidariedade mesmo com os antagonistas políticos em momentos de caos sanitário é CRIME com C maiúsculo.     

O "bichinho" da política é também um vírus.   E ele encontra terreno farto para contaminar.  É muito invasivo.    E ainda não temos uma vacina para combater esse "bichinho" que tanto gruda nas vísceras dos políticos brasileiros.       Esse vírus a Ciência Médica não tem como enfrentar, lamentavelmente.    







segunda-feira, 16 de novembro de 2020

FORA DO AR

 A empresa em que trabalho segue preservando os funcionários acima de 60 anos, de todas as áreas, mantendo-os em casa e esperando o momento certo para que retornem às atividades "in loco".

Os que podem atuar via internet de suas casas já o fazem há meses, portanto sem prejuizo da continuidade dos serviços.    Galvão, Milton Leite e eu, narradores da casa, seguimos sem participar das transmissões e aguardando a liberação da empresa.

Ressalto toda a atenção que temos recebido dela, assim como todos os demais colegas de outras áreas, no sentido de estar alerta para qualquer eventualidade de auxilio e apoio.

Embora a questão já venha sendo divulgada desde o inicio da pandemia, achei oportuno e interessante fazer esse post e mais uma vez reforçar a razão de nossas ausências nas jornadas.

Quando voltaremos?  É impossível dizer pois tudo dependerá do andamento da pandemia e quando a empresa entender que seja seguro isso acontecer.    Ou quando tivermos a vacina, evidentemente.

Agradeço a todos aqueles que sempre vem perguntando e abordando esse assunto.   


segunda-feira, 2 de novembro de 2020

FINADOS. A MORTE?

Finados, dia de memorizar com saudade e amor aqueles entes queridos que nos deixaram.

Cada um com suas crenças e convicções religiosas faz sua mentalização e se conecta com quem partiu.

É sempre um duro golpe a perda de alguém que convivemos, gostamos, amamos, admiramos.  Por mais que exercitemos o encarar da realidade mais palpável de nossa existência, quando acontece o coração chora e se contrai.   

Minha primeira perda de um ente querido foi em 1958, exatamente no dia de finados, de meu avô paterno, seu Antonio.    Eu com meus quase 10 anos de idade vi toda aquela movimentação no sitio onde morávamos - de propriedade dele - e me impressionei bastante.

Meio sem entender absolutamente nada do que estava ocorrendo tenho lembrança que meus pais me levaram para a casa de uns tios, como querendo me poupar daquele clima fúnebre que ventilava no local.      Morávamos praticamente todos juntos no local e a convivência era muito próxima.

Com meu avô percorria toda a propriedade durante o dia querendo ajuda-lo nos afazeres rurais e me sentia importante quando ele elogiava algo que eu fazia.   

E é claro que depois ao longo da minha vida tive outras perdas muito dolorosas, como meus pais e dois irmãos, além de membros da familia muito queridos.

Há mortes e mortes.    As que são até previsíveis(?) em razão de doenças avançadas e de pessoas muito idosas e aquelas que chamamos de "prematuras", de pessoas que no nosso entender eram muito novas para a partida.   

Nossas conclusões, verdadeiramente, não têm a menor importância, pois somos pequenos para o entendimento.   Apenas que buscamos justificativas e tudo de acordo com o que "achamos" que é o correto.

Prefiro entender que o Universo ( Deus, ou como queiram chamar ) é infinitamente superior à nossa inteligência e que em assim sendo nada de injusto faria conosco.

Viemos a esse planeta com a permissão Deles e sairemos daqui da mesma forma.     E ninguém será esquecido ou abandonado quando se livrar da matéria, do físico, da carne.    Nossa essência é inteligente, é  imortal, portanto não perece como a matéria, segue viagem pelo Universo.

A consciência jamais morre.    Levamos junto, aliás, é ela que nos conduz na viagem pós-física.

E essas ponderações, reflexões, independem de qualquer segmento religioso.   Está acima de conceitos da religião, que por sinal foi criada pelo Homem e que é altamente importante para as pessoas.

Morre o corpo físico, que serviu de instrumento para a nossa missão aqui, e conexo com as condições do Planeta Terra.    Nada morre, tudo se transforma.    Mudamos de dimensão, de vibração, quando deixamos a perecível matéria e que por sinal se decompõe rapidamente.

Portanto, nesse dia de homenagens aos que se foram, é confortante e importante pensar que NINGUÉM MORRE, a Natureza não mata, apenas cumprimos etapas.    E as etapas são intermináveis na caminhada cósmica.     

E que Deus, nas mais diversas religiões, faria nascer pra depois MATAR?      A inteligência e a superioridade dos deuses são inimagináveis à nossa compreensão.     Sejamos humildes em nossa ignorância para reconhecer que não há castigo do Universo a ninguém, nenhuma injustiça a quem deixa de habitar esse ainda pequeno planeta no contexto cósmico.

Temos nossas missões e essa é apenas uma das etapas, aqui na Terra.    E se quisermos nos aprofundar nas coisas que chamamos de "injustiças" em muitos casos, é importante estudar as teorias de vidas passadas e suas ligações com os acontecimentos de agora.    Tudo bate.    Tudo se encaixa.     É bem interessante.







quinta-feira, 29 de outubro de 2020

GUERRA? TO FORA!

 1991

Prosseguindo com os torneios de masters da Band sob o comando de Luciano do Valle houve um em Miami.

Todos se dirigindo ao aeroporto de Cumbica/SP para o embarque.

Delegação da equipe e nosso time de comunicadores para as transmissões.

Todos ajeitando as bagagens, cada um buscando seu lugar, corredores do avião congestionados nessas horas, e a partida para os USA estava bem próxima.

Sem celulares nesses tempos aqui no Brasil cada um que adentrava o avião trazia as últimas informações ouvidas nas rádios momentos antes de embarcar.

E eis que surgiu uma noticia/bomba:  Guerra do Golfo deflagrada.    

Impacto para todos pois estávamos prontos para voar aos Estados Unidos, então envolvido nessa guerra.    Olhos arregalados, perguntas das mais diversas sobre se teríamos ou não o Torneio, dá para imaginar como ficamos nessa hora.

Na verdade esse conflito já havia começado em 1990 quando o exército iraquiano invadiu o Kuwait e os desdobramentos não pararam culminando com esse de janeiro de 91.

A verdade é que houve pânico dentro da aeronave.    Nossos diretores procuravam tranquilizar a todos dizendo que o torneio haveria, sem nenhum problema.

As comissárias de bordo, perguntadas a todo momento se o avião decolaria mesmo assim, e elas confirmavam que o voo estava dentro do horário e sairia normalmente.

Fechadas as portas da aeronave surgiu um problema ( mais um ).

Faltava um passageiro.   Um dos jogadores da seleção de masters teria "fugido".    E quem estava a seu lado testemunhou que ele se apavorou com a noticia da guerra, pegou a mochila e se mandou dizendo "guerra?  To fora!"   

E esse jogador era o Paulo Izidoro, apelidado no futebol como Tiziu, com passagens pelo Atlético Mineiro, Grêmio, Santos, Guarani, seleção brasileira e outros clubes brasileiros.

E a seleção viajou, fez os jogos, o torneio teve boa presença de público, com sucesso, enquanto na televisão assistiamos aquelas imagens dos mísseis cruzando os céus do Iraque....( sem o Tiziu ).

* detalhe desse torneio em Miami:  pela primeira vez eu tive contato com um aparelho celular, alugado nos USA pela rádio Bandeirantes e utilizado pelo saudoso repórter Cândido Garcia.




quarta-feira, 28 de outubro de 2020

O REI DO GATILHO.

Certa vez num estádio do interior de SP lá estávamos pela Band para mais uma transmissão de futebol.

A meu lado Mário Sérgio Pontes de Paiva, saudoso e querido amigo.    Fiz dezenas e dezenas de eventos com o Mário e conheci o "outro lado" dele, o da generosidade.

Nesse estádio, onde não havia cabine para as emissoras de televisão, fomos colocados quase que em meio à torcida das cativas, apenas separados por uma frágil cerquinha, de um metro de altura.

Mário era o alvo dos torcedores mais exaltados, principalmente pelo seu temperamento franco e direto nos comentários, jamais se policiando ao se expressar, embora profundo conhecedor do futebol e um dos melhores com quem dividi as jornadas.

O time da casa perdia o jogo e aqueles torcedores se dirigiam ao Mário e o ofendiam.   Alguns até com ameaças daquelas que bem conhecemos em estádios.

Terminado o primeiro tempo foi inevitável uma pressão maior pra cima da gente.    Sobravam palavrões aos nossos ouvidos e aos poucos eles se aproximavam mais de nós.

Confesso ter temido agressões a qualquer momento.    Policiamento?     Zero.

Num determinado momento eis que Mário Sérgio abaixa-se e pega a sua bolsa tirando dali o seu calibre 38 que sempre levava consigo.     Por isso também era apelidado de O Rei do Gatilho.

Tirou o revólver da bolsa, engatilhou e disse:  "venham agora, podem chegar!"  

Como num passe de mágica os valentes cidadãos DESAPARECERAM.      Escafederam-se.   

Ficou um deserto à nossa frente nas cativas.        Correria e aí chegou o policiamento para perguntar "o que tinha acontecido?"    Relatamos aos policiais e aí a coisa pegou, porque os guardas queriam tomar a arma do Mário.

Argumentamos e invocamos a legítima defesa, pois aqueles vândalos iam nos atacar, nos agredir e só restou rechaça-los intimidando com a arma.

Em resumo, com a chegada de um capitão a arma ficou com o Mário, reforçou-se a segurança à nossa frente e pudemos seguir com a transmissão.

Detalhe:  na confusão toda perdemos uns 2 minutos do inicio da segunda etapa.    




 

terça-feira, 27 de outubro de 2020

AS SAPATADAS DE UM TRICAMPEÃO

Já contei esse acontecimento mas foi tão marcante que volto a escreve-lo.

Chegamos a Tandil, interior da Argentina, 1996, pré-olímpico de futebol

Na nossa equipe da Band estava o tricampeão do mundo, Tostão.

Tandil, cidade pequena, poucos hotéis, e no que estava destinado à nossa equipe mal cabíamos dentro dos quartos.   Ou entrava a gente ou as malas.

Vexatório, portanto, principalmente pelo fato de termos um campeão do mundo junto.

Reviramos a cidade e o único com disponibilidade também era modesto, pequeno, mas ao menos com quartos um pouco maiores.    Lá fomos nós, então, um pouco mais para o centro da cidade.

Nosso hotel, porém, tinha um inconveniente: os pernilongos.     Parecia que o "ninho" dos ditos cujos se concentrava no local.     Nunca vi tantos.

Na hora de dormir primeiro havia a batalha de exterminação dos danados ( ou uma tentativa de acabar com eles ).     Na recepção haviam acabado os recursos para combate-los, evidentemente, porque todos os hóspedes queriam os repelentes inseticidas e etc.

Então não nos restava outra opção a não ser abate-los com nossos pertences.   Os sapatos e chinelos eram as armas mais eficientes.    Eu e Tostão dividíamos o quarto e chegamos à conclusão que nem em Minas Gerais e nem em Americana, nossas cidades, havia tantos pernilongos.    Nunca tínhamos visto tal cenário.

Não é preciso dizer que durante 15 dias aproximadamente as paredes do quarto estavam todas marcadas pelos nossos pisantes.     E nem precisa dizer que na hora do checkout o gerente quis cobrar a pintura das paredes.  

Travamos um severo diálogo com a gerência e evitamos a cobrança, evidentemente.

Um colega da equipe até brincou com o cidadão dizendo que ele jamais deveria mandar pintar aquela parede, pois alí estavam as "sapatadas marcantes" de um tricampeão do mundo:  TOSTÃO.