terça-feira, 1 de agosto de 2017

CONSCIÊNCIA TRANQUILA É TUDO.

Sobre torcedores acharem que tal narrador está "torcendo" por esse ou aquele time na hora do jogo, sempre conto algo acontecido em 1995 na decisão Santos x Botafogo pelo Brasileiro.

Naquele dia eu estava nos estúdios da Band de plantão caso houvesse algum problema com a transmissão de Luciano do Valle.
Isso sempre acontece, ou seja, um locutor fica na cabine para qualquer eventualidade técnica na transmissão vinda do estádio.

Na época o Band tinha o programa SHOW DO ESPORTE e cerca de 30 meninas trabalhavam como atendentes ao telefone, pois sempre havia no final o sorteio de um belo prêmio aos participantes.

Passou a bola rolar para as atendentes enlouquecerem com as ligações.

A todo momento torcedores de Santos e Botafogo reclamavam com elas sobre o narrador Luciano do Valle.
Na avaliação dos santistas, Luciano "torcia" pelo Botafogo na transmissão.
Já os botafoguenses chiavam dizendo que o locutor estava torcendo pelo Peixe.

E isso foi durante os 90 minutos da decisão.

Nós, narradores, já nos acostumamos com tal comportamento de alguns torcedores.

A paixão acaba tendenciando a definir que o comunicador está "contra" sua equipe de coração.

Já o narrador, ele vive o MOMENTO dos lances e jogadas, e especialmente quando o gol acontece.
Ele vibra com qualquer lance, seja da equipe A ou B.
E se o time mandante - com maior número de torcedores no estádio - faz um gol ou uma grande jogada, é natural que o SOM AMBIENTE ressalte a vibração do narrador.
Nem por isso o locutor está tomando partido dessa ou daquela agremiação.

Sabemos que esse tipo de manifestação do apaixonado torcedor jamais irá acabar.

Nós, comunicadores, temos responsabilidades.   Somos profissionais e não torcedores quando no empenho da transmissão.
Temos nome a zelar.
Nossa preocupação maior durante uma partida de futebol é com tudo o que está ocorrendo na transmissão, buscando oferecer qualidade de som, imagem, relato, opinião e informação.

Aprendemos a respeitar todas as bandeiras.
Time grande ou time pequeno, para nós, merece dignidade e respeito.

Talvez seja difícil a compreensão do torcedor quanto ao nosso papel.

Entendo que podemos ser julgados por incompetência, falta de recursos e tudo mais, porém quanto à honestidade de propósitos e empenho profissional creio que merecemos respeito.

Assim como todo profissional merece respeito, em qualquer atividade, desde que o faça com responsabilidade, ética e fidelidade de princípios.

Outra maldade que as vezes se comete é dizer que o locutor está atrelado a interesses da sua emissora em favorecer essa ou aquela agremiação.
Tenho quase 50 anos de profissão e NUNCA fui "orientado" a tendenciar para qualquer time de futebol, por onde passei.
E não aceitaria tal imposição, por ter dignidade e prezar muito meu nome e reputação.

As críticas irão continuar, mas minha consciência ( e dos companheiros ) seguirá limpa, em paz e serena.












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