terça-feira, 25 de abril de 2017

A DECISÃO DO PAULISTÃO.

Estive naquela decisão do título paulista entre Corinthians x Ponte Preta no Morumbi.
Ano de 1977.

Eu trabalhava na rádio/TV Gazeta de São Paulo e fui escalado para fazer a abertura da jornada que culminaria com a narração do saudoso JOSÉ ITALIANO.

Tudo o que envolveu aquela decisão foi muito ardente.
Houve tantas ilações, deduções, achismos, pois o Timão fazia muito tempo que não levantava um título, e para muitos até a interferência do Governo do Estado entraria na corrente para ajudar o alvinegro de Parque São Jorge.

Não entro no mérito do jogo em si, do resultado, pois cada um interpretou à sua maneira, e ninguém até hoje provou nada sobre as suspeitas levantadas.

A expulsão do atacante Ruy Rei logo no inicio do jogo foi o estopim para conclusões sobre influência superior e externa na partida.
O governador era torcedor do Corinthians e isso também gerou muita chiadeira.
* Paulo Egídio Martins era o governador.

O saudoso Dulcídio Wanderlei Boschilla, árbitro daquela partida, de forte personalidade, enérgico nas suas atuações, temperamental, ficou marcado pela expulsão e para muita gente estava na "gaveta" (como se costuma dizer na giria futebolística).

Ele sempre foi categórico ao se defender dizendo que se tinha dinheiro para "comprá-lo", a grana parou em algum lugar pois nunca chegou às suas mãos.
* detalhe: Dulcídio era torcedor do São Paulo FC.

A pressão era tão forte para que o Corinthians fosse o campeão que até sobrou para o então presidente da Ponte, Lauro Moraes.  Cogitou-se que o dirigente teria entregado a partida para em troca ganhar o prefixo de uma rádio em Campinas ( hoje, rádio Central ).

Falou-se também que o atacante Ruy Rei é que estava sendo subornado para provocar a expulsão logo no começo da partida.
* tempos depois o jogador atuou pelo Corinthians.

Enfim, foi uma saraivada de opiniões que indicavam uma grande conspiração para que a Macaca não fosse a campeã.

Agora, quatro décadas passadas, os dois alvinegros voltam a decidir o estadual.

Outros tempos, outra época, nova realidade.

Que a decisão seja limpa, honesta, esportiva.
Que as torcidas se comportem civilizadamente.
Dirigentes e jogadores, mais treinadores, idem.

Boa sorte a quem for atuar pela arbitragem nas duas partidas.
E partindo do princípio de que os membros da arbitragem são honestos, sérios, que os seus erros sejam relevados, pois são seres humanos e passíveis de equívocos.

Sempre digo que os jogadores ao longo de 90 minutos cometem falhas e mais falhas, e que com apenas um erro do árbitro tudo recai sobre ele, que na verdade errou menos que os demais no computo geral.
Sempre entendi que como são todos errantes, humanos, num jogo de futebol, por que a arbitragem tem de ser perfeita?
* e é claro com a devida presunção de que a honestidade impera nos senhores do apito.

Afinal de contas, o futebol não é apenas rivalidade, competição, profissional, mas sim espetáculo para entreter o povo.
Ganhe quem ganhar, o importante é fazer dessas finais um produto rico em qualidade e emoção.











Um comentário:

  1. Jota, revi aquele jogo exatamente hoje.
    O Dulcídio apitou muito bem!
    Parece que ele já esperava que seria pressionado, e testado naquele jogo.

    ResponderExcluir