terça-feira, 26 de agosto de 2014

ADEUS GIOVANNI BRUNO!!!

De repente fico sabendo da morte (física) de GIOVANNI BRUNO.

Um vencedor na vida, em todos os sentidos.
Chefe de família, empresário, amigo, conselheiro, em tudo ele brilhou.

Que coração doce o de Giovanni.

Eu o conheci no final dos anos 70 quando fui levado a um restaurante de sua propriedade.
Daquelas cantinas aconchegantes, um pedaço da Itália em São Paulo.
E a comida.......
Ah, a comida.  Divina, irresistível.

Mas a história de signore Bruno no Brasil começou em 1950 quando aqui chegou.
Com a Itália no pós-guerra, ele decidiu viajar e buscar vida nova.
Ainda jovem, cheio de saúde, veio com todo o gás.

Começou como garçom, morou em cubículos, passou por necessidades básicas, mas fruto de suas virtudes pessoais e da força de vontade, tempos depois comprou o restaurante em que trabalhava como empregado.
Transformou-se em uma importante personalidade da noite paulistana com seu carisma, suas especialidades italianas e muito sangue nas veias.

Gente badalada passou a frequentar sua cantina e aos poucos todos foram conhecendo aquele italiano puro, doce, amável, educado, um gentleman.

Mas à par de seu sucesso como homem de restaurantes e da magnífica cozinha italiana, ele trazia no coração o seu amor pelo Nápoli, apegando-se fortemente às cores da Sociedade Esportiva Palmeiras.

Tive a honrosa oportunidade de participar com ele das transmissões do campeonato italiano pela TV Bandeirantes à partir de meados dos anos 80. 
Giovanni, convidado de Luciano do Valle para dar o "toque" italiano às jornadas, acabou agradando a todo mundo com sua simplicidade e simpatia nas palavras.

Generoso e carinhoso como era, todos os domingos chegava à Bandeirantes com potes e pacotes de produtos da sua cantina, especialmente para presentear os colegas e amigos.

Em 1996 fui presenteado por ele com o livro "...Aos Nossos Momentos", uma espécie de biografia da sua vida, escrita por um amigo, Angelo Iacocca.

Uma história linda, rica de amor e generosidade.
Um homem de família.
Totalmente voltado para o bem.

Mas hoje, terça, dia 26 de agosto, recebo a notícia do seu falecimento em São Paulo.

Confesso que já há algum tempo me perguntava como estaria o amigo Giovanni.
Soube, há 5 ou seis anos atrás, de uma cirurgia cardíaca a que se submeteu, mas que recuperou-se muito bem.

Mas hoje a vida terrena do amigo se encerra.
Missão brilhantemente cumprida.
E ele falece no dia do centenário do Palmeiras, seu clube adotado aqui no Brasil em 1950.

Na Copa de 1990, Itália, fui com ele e Roberto Rivellino à Nápoles para transmitir um jogo do Mundial.  Fomos de carro, pois Giovanni quis passar pela sua cidade natal, Casalbuono, distante 120 km de Nápoles.  
Fui testemunha de suas lágrimas desde a entrada da cidade onde ele havia residido até os 18 anos de idade.
E no estádio San Paolo pouco antes da transmissão começar o sistema de som tocou O SOLE MIO.......
Demos as mãos nós três e choramos juntos...........





3 comentários:

  1. Não o conheci,mas fiquei emocionado com suas palavras. abraço,grande Jota!!

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  2. Belas palavras Jota,meus sentimentos a todos,um grande abraço para você

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