segunda-feira, 28 de julho de 2014

OS ESPINHOS DA PROFISSÃO

Já escrevi sobre o assunto, mas é necessário voltar a ele.

Sempre após as transmissões através das redes sociais, ou mesmo em contatos pessoais, surgem os comentários sobre a nossa atuação ( narradores, comentarista e repórteres ), o que é perfeitamente natural e democrático.

O torcedor do time "A" acha que os comunicadores penderam mais para o time "B".
E vice-versa.
E por aí vai.....

O futebol é um esporte que proporciona divergências, isso é normal.
Há os pontos de vista, as interpretações individuais, e isto suscita a controvérsia.
Mas isso tudo é natural, faz parte do contexto.

O que incomoda os comunicadores - e é o meu caso - é sermos rotulados de parciais, tendenciosos ou a serviço desta ou daquela facção.
Nos chamarem de incompetentes ou despreparados é um direito de todos.
Mas a pecha de inconsequentes, machuca.

Quem exerce a profissão com seriedade e lisura não admite que seja chamado de "boneco da empresa" ou coisa parecida.
É uma ofensa à dignidade.

É evidente que a paixão fala mais alto e as pessoas exacerbam no amor ao clube, ficando cegas à realidade dos fatos.  Isso a gente compreende.   Mas que os exageros não cheguem a ferir a ética e a moral dos outros.

Felizmente o tempo vai nos deixando calejados nesse aspecto de "entender" as atitudes dos apaixonados clubísticos, mas é válido também que registremos fortemente a seriedade e a responsabilidade dos profissionais da comunicação, em sua extremada maioria.

Isso tudo não nos isenta de erros, equívocos e deslizes durante o trabalho.
Mas falta de seriedade e de responsabilidade, absolutamente não.

Particularmente, erro e continuarei a errar.  Sou um errante e também um eterno aprendiz.

Mas não permito que me chamem de faccioso, tendencioso ou massa de manobra desta ou daquela entidade, muito menos da empresa para a qual presto meus serviços.

Os 45 anos de profissão não me permitem torcer ou distorcer fatos.   Apenas vejo, dou a minha versão e é claro que posso errar.  Mas sem tendências.  Não preciso pender para nenhuma cor de camisa.  O tempo esfriou aquilo que eu chamava de amor a um clube.
Nenhum escudo hoje me altera ou me faz ser indisciplinado com o microfone na mão.

Hoje quando entramos para uma jornada a meta exclusiva é oferecer um bom produto ao "consumidor", o ouvinte ou o telespectador.
Não atenderemos em 100% ao nosso cliente, mas se chegarmos perto já será uma vitória.

Aprendi que há dois times em campo e que não interessa quem tem mais torcida.
Ambos merecem o nosso respeito e a nossa atenção.

E reforço:  aceito todas as críticas ao meu trabalho.    Não posso aceitar ofensas à minha dignidade pessoal e profissional.   Se tem uma coisa que deixei de ser, há MUITO tempo, foi a de ser TORCEDOR.



















5 comentários:

  1. Jotinha, não esquente a cabeça. Infelizmente a maioria dos torcedores ainda é ignorante. São cegos. Poucos conseguem enxergar algo além do que o próprio umbigo. Você é um dos maiores narradores da TV. Como você já sabe, acompanho seu trabalho desde os tempos de TV Bandeirantes, Continue fazendo esse trabalho fantástico. Um abraço, meu amigo.

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  2. Jotinha, só quem realmente não te conhece para te criticar em alguma coisa. Pra mim sempre foi um prazer e um enorme aprendizado trabalhar com você. Saudades do Amigo! Bjs.

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    1. Oi, Andréa, saudades da amiga também. Obrigado pelo carinho. bjs na familia.

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