quarta-feira, 2 de abril de 2014

HISTÓRIAS E REGISTROS

Me lembro quando cheguei para trabalhar no rádio paulistano em 1976.

Tinha mais ou menos 7 anos de carreira, tendo começado em Americana e passado pelo rádio de Limeira e Campinas.

Tímido, assustado com a grandiosidade da grande imprensa, cheguei no prédio da Fundação Cásper Líbero na avenida Paulista e entreguei minha Carteira Profissional ao departamento pessoal da empresa.

A TV Gazeta na época tinha uma Mesa Redonda às segundas-feiras que era um sucesso de audiência.  Comandada por Milton Peruzzi ( chefe da equipe ), tinha Peirão de Castro, Rubens Pecce, Paulo Vitor, Dalmo Pessoa, Geraldo Blota, José Italiano, Roberto Petri, Raul Valle...

Como num teste de fogo, a produção do programa resolveu me colocar entre as feras para que Peruzzi me anunciasse como o novo integrante do time da rádio.

Com a voz trêmula agradeci ao comandante pela oportunidade, à Casa de Cásper Líbero, e ali em julho de 1976 iniciava minha caminhada na imprensa da Capital.

Se até nos dias de hoje não gosto de participar de "mesas redondas" com debates e tudo mais, imaginem tomando assento num programa de grande audiência, chegando à São Paulo, aos 27 anos de idade?    Foi uma tortura.

Minha primeira transmissão foi na Rua Javari num sábado à tarde, Juventus x Ponte Preta.
Ao meu lado comentando estava Galvão Bueno e nas reportagens José Isaias e Gerson Araújo.
* Galvão começou como comentarista a sua carreira na Gazeta.

Conto a história para ressaltar que muitas pessoas da equipe me ajudaram na adaptação, mas como ocorre em todos os lugares ( lamentavelmente ) alguns me ignoravam e rotulavam de mais um "caipira" que chegava.
Enfrentei muitas "caras feias" no dia a dia da redação.

Confesso que por vários meses ( os primeiros, principalmente ) pensei seriamente em voltar para o Interior e para a minha cidade, dada à dificuldade de adaptação ao Grande Centro.

Roberto Petri e Galvão foram os que praticamente "me contrataram" pois as gravações de jogos feitos por mim eram todas reprovadas pelo Peruzzi.   O chefe não gostava do meu estilo de narrativa e tinha todo o direito, evidentemente.

Mas Petri e Galvão insistiram tanto com Milton que acabei tendo a chance.
Venceram o chefe pelo cansaço e também pela necessidade de mais um locutor.

Passou um tempo e Peruzzi deixou a Gazeta.   Tentou montar uma equipe em rádios da Capital para acompanhar exclusivamente o Palmeiras ( time do seu coração ) e me convidou para integrar a equipe.   Mas não pude atende-lo pois estava de saída para a rádio Bandeirantes.

São quase 38 anos da minha ida para a Gazeta.
Em 1980 me transferi para a Bandeirantes(rádio) e à partir de 1983 na TV Band.

Encerrei minha jornada na Band em janeiro de 1999 e em março do mesmo ano fui para o canal Sportv.

Dizem que quando começamos a contar histórias é porque começamos a sentir efetivamente a passagem do tempo.  
Reconheço que é a pura verdade, embora seja muito gostoso relembrar.


Histórias e registros.

















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