sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

A PRIMEIRA DECISÃO

Decisão do Campeonato Paulista de 1974.
Palmeiras x Corinthians, a velha rivalidade valendo título.
Palco?   Morumbi.

Corinthians precisando urgentemente de um título.  Estava na fila há um tempão e isso inquietava a sua grande torcida e a sua tradição de vitorioso.

Eu trabalhava na rádio Brasil de Campinas.
Estava na profissão há 5 anos aproximadamente.
Como os dois principais locutores estavam entrando em férias, a escala da decisão recaiu sobre mim.
E é claro que vibrei com a oportunidade de ir ao Morumbi transmitir um Corinthians x Palmeiras e valendo o título estadual.

A escala me colocava como o narrador do evento, José Lamanna nos comentários, Renato Silva nas reportagens e os trabalhos técnicos de Jayme Ginez ( o Tiririca ).

Chegando ao Morumbi nos deparamos com um problema que já era esperado.
Não havia acomodação em cabines para todas as rádios.
Eram quase 100 emissoras querendo espaço para a transmissão.
Gino Orlando, um dos grandes artilheiros da história do São Paulo FC, administrava o estádio tricolor e instalou as rádios nos "camarotes" atrás dos gols e até nas escadarias das numeradas.
* e com um detalhe:  não permitiu que descêssemos os cabos até o campo para o trabalho do repórter.
A transmissão teve apenas narrador e comentarista em ação.

O jogo começou e à nossa frente o "senta-levanta" dos torcedores e a dificuldade para se enxergar o gramado, o jogo.

Me lembro que o Palmeiras estava na dúvida se o lateral Eurico jogaria.
Pela distância do gramado e com os torcedores à frente, percebi que o lateral do Verdão não era o grande Eurico.
Só com 5 ou seis minutos é que descobrimos quem estava com a "2" do Alviverde:  Jair Gonçalves.

O Timão vivia um melhor momento na temporada e entrava com algum favoritismo.
Eram dois grandes times, com diversos craques em campo.
Choque de gigantes, como costumamos dizer.

E deu Palmeiras, com aquele gol de Ronaldo numa bola ajeitada de cabeça pelo brilhante Leivinha.

No estádio a torcida corintiana ocupava cerca de 80% dos espaços.

E foi uma tragédia para a massa alvinegra.  Mais uma derrota.  Mais um ano sem título.  Aumentava a fila, o jejum de conquistas.
Muitas bandeiras queimadas dentro e fora do estádio logo após o encerramento da decisão.

Foi minha primeira decisão importante como profissional.
Inesquecível.








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