quarta-feira, 16 de outubro de 2013

PELÉ - 73 ANOS

Pelé está para completar 73 anos de idade e lançando um livro com fotos de todos os seus gols como profissional.

Totalmente desnecessário escrever sobre Pelé jogando bola.
Gênio.
Ninguém ensinou Pelé a jogar futebol.
Nasceu com ele.
Está no DNA de Edson Arantes do Nascimento.

Tive uma experiência de aproximadamente 30 dias com Edson, e com Pelé.
Foi na Copa do Mundo de 1986 quando ele fez parte da equipe da TV Bandeirantes.
Convivendo com o Edson/cidadão pude conhecer a sua simplicidade e a sua meiguice ao lidar com as pessoas, fossem elas famosas ou não.

Na convivência de quase 1 mês com os "dois" eu pude constatar algo muito interessante.
Como o Edson Arantes do Nascimento cuidou bem da imagem de Pelé.  Cuidou e ainda cuida.

Na turbulência diária do Centro de Imprensa da Cidade do México e nos deslocamentos para os estádios nas transmissões, Pelé jamais deixou de atender a uma única pessoa.
Ele atrasava a logística da equipe para os programas e viagens, mas atendia a todos com sorriso e total simpatia.

Numa das escalas fomos a Guadalajara ( à bordo do jatinho da TAM do saudoso comandante Rolim ) e ao chegarmos no estacionamento do estádio uma multidão cercou o Rei do Futebol.
Fotos, abraços, tapinhas nas costas, autógrafos.
Pelé não conseguia dar um passo à frente.
Nosso querido coordenador internacional, Teti Alfonso, se desesperava com o fato, olhava para o relógio, mas os mexicanos não deixavam Pelé sair do lugar.

Percebendo os fatos, fui para a posição de transmissão do estádio e me posicionei para o trabalho.
Abri a jornada, o jogo começou e só depois de 10 ou 12 minutos é que o "comentarista Pelé" conseguiu se sentar ao meu lado.
E com o detalhe:  sorriso nos lábios.   Missão cumprida em atender a todos com carinho.

Certo dia uma equipe de televisão da Inglaterra entrevistava o Rei nos estúdios da Band no Centro de Imprensa.  O que era para ser um papo de 20 minutos ou meia hora, acabou se estendendo.
E nada dos ingleses terminarem o papo.
Chegava a hora do programa da Band ser apresentado ao vivo e nada da entrevista terminar.
Deu desespero na nossa produção e os ingleses tiveram que encerrar a matéria às pressas.
Logo depois, Pelé nos deu uma "dura" dizendo que se não tratássemos bem os gringos, a imagem do Brasil ficaria desgastada.
Ele não se preocupava somente com ele, mas a quem ele representava, o País.

Edson ou Pelé, assim como todos nós, imperfeitos, cometeu e ainda comete equívocos, erra muito.
Mas suportar a carga da fama e do sucesso como ele, administrando pressão e cobranças, acho que poucos no Mundo conseguem.

Cometemos muitas vezes o grande equívoco de exigir de Pelé no cotidiano a perfeição que ele apresentou jogando futebol.  Pelé foi perfeito na sua atividade, Edson é imperfeito como ser humano.
Imperfeitos, todos somos.
Basta olhar com olhos críticos para dentro de nós.

Mas a sua aura é qualquer coisa de impressionante.
As pessoas se emocionam perto dele.
É a aura dos grandes ídolos.
Seres dotados de uma energia diferente, refinada, especial.

Hoje Pelé é um "setentão", já cansado da vida, mas que ainda sabe da sua importância para o Mundo.
Sua agenda está sempre lotada.
Seu sorriso, sempre estampado.

E ele é BRASILEIRO.
Esse presente nós ganhamos do Universo.
E as vezes insistimos em desprezar essa joia que nos foi dada.
















3 comentários:

  1. Brilhante homenagem amigo Jota! Brilhante!
    Abraços!

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  2. Bravo, Jotinha! Excelente texto!

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  3. Edson Arantes do Nascimento erra muito como comentarista ou em grande parte das vezes em que é colocado em situação que o leve a falar de futebol. Erra ao fazer prognósticos, erra ao falar de táticas, estratégias de jogo. Erra porque o cérebro de Edson pensa - se é que cérebros pensam - como Pelé. Pensar futebol como Pelé não é possível para outro ser humano que não o Edson Arantes do Nascimento. Nenhum de nós entende seu raciocínio e por isso achamos que ele "se precipitou",'se enganou", "deu um fora"; nenhum ser vivente presente, passado ou futuro teve ou terá a perfeição do raciocínio futebolísco que ele tem. Querer entendê-lo é como pretender acompanhar o pensamento musical de Bethoven ou o também genial de Mané Garrincha. Só eles!

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