segunda-feira, 22 de abril de 2013

""NAQUELE TEMPO....""

Com minhas décadas já vividas eu teria tudo para ser saudosista em termos de futebol, mas não sou.
E não me gabo disso.
Valorizo os feitos do passado mas não desprezo as coisas boas da atualidade.

Apenas, que leio e ouço de muitas pessoas que "naquele tempo" os estádios brasileiros viviam cheios.
Não é verdade.

Há pouco tempo peguei as estatísticas do Paulistão e as médias não eram significativas.

Acompanho futebol desde o inicio da década de 60 e me lembro perfeitamente que já naquela época os radialistas reclamavam de público pequeno nos estádios.
Nos grandes clássicos, evidentemente, a casa ficava cheia, e os estaduais eram soberanos.
Até meados de 70 o Brasileirão ainda não emplacava e os regionais lideravam a preferência.

Os preços dos ingressos eram baratos, havia facilidade de locomoção às praças de esportes, não tinha flanelinha, nem cambistas, e a televisão ainda não mostrava jogos ao vivo.

Nos dias de hoje ficou dificílimo ir aos estádios e é claro que todos preferem a comodidade de ter os espetáculos em casa ou em bares.

Fala-se muito que "naquele tempo" havia mais craques, que os jogos eram mais bonitos, eletrizantes e tal.
Os tempos mudaram, é evidente.
Mas lá atrás, no tempo, cansei de ver grandes peladas e também de presenciar muitos pernas-de-pau.
Isso sempre existiu no futebol.  E irá continuar.

O que ocorre, no meu modo de ver, é que tudo o que já foi vivido temos a tendência em valorizar, até para provocar o presente.
Quando alguém afirma que o futebol brasileiro está em decadência, balanço a cabeça e não concordo.
Temos o atual campeão mundial, Corinthians, e os estrangeiros continuam a vir buscar os nossos talentos.
Não tivéssemos talentos aqui e eles não viriam com propostas milionárias a todo instante.

Ninguém ganhou mais Copas que a seleção brasileira.

O que não invalida cobrarmos da Amarelinha um bom desempenho, evidentemente.

Mas é preciso ter muito cuidado com o saudosismo maldoso.
Lembrar as conquistas, os craques e tudo mais, é claro que vale.
Mas desprezar o presente e atribuir o brilho e o sucesso somente ao passado, é injusto.

Corrijamos o que está errado, mas sem deixar de valorizar o precioso valor que tem o futebol nacional, desde os estaduais até o Brasileirão, passando é claro pelas participações nas competições internacionais.










5 comentários:

  1. Olá Jota! Parabéns pela sua história no jornalismo esportivo. Você é certamente um dos ícones do esporte. Sua forma de narrar um jogo é agradável para quem assiste e para quem trabalha ao seu lado. Parabéns pelo que faz! Curso jornalismo e meu sonho é ser jornalista esportivo. Tenho um blog que criei recentemente onde exponho minhas opiniões sobre o futebol. Gostaria de fazer uma entrevista escrita com você, abordando um pouco de sua vida profissional. Seria possível? Já consegui entrevistas com Luiz Carlos Largo, João Guilherme e Wilson Gottardo. Muito obrigado desde já pela atenção.
    www.comentariodabola.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  2. Olá, Bruno.
    Obrigado pelo carinho das palavras.
    Por favor fique à vontade para a entrevista. Pode enviar as perguntas para jose777junior@hotmail.com

    Com prazer.

    abraço do jota

    ResponderExcluir
  3. Jota

    Havia feito um texto longo, modéstia a parte, interessante, mas bati em uma tecla de meu computador. Sumiu tudo. Sou semianalfabeto em computador rsrsrsrs

    Vou tentar resumir:

    Desta vez não vamos concordar em tudo, como de hábito, apenas parcialmente.

    Reconheço que vivemos outros tempos, outro futebol e temos de dar valor ao que acontece agora.

    Como se trata de simples questão discussão de pontos de vista (no melhor senso do termo) creio que a nossa amizade virtual não será arranhada ou desfeita por nossa batalha no campo das idéias.

    Garanto que se você me convencer a respeito das questões que lhe proponho, quem sabe chegaremos à uma convergência.

    Quando que, no futebol de hoje, teremos estádios com públicos superiores a 150 mil pagantes como era recorrente no Maracanã nas décadas de 50, 60 e 70 ?.

    Ou 120 mil como era de costume no Morumbi 100 mil, no Mineirão e em Porto Alegre, 80 a 90 mil em Recife em decisões, em clássicos nacionais e regionais ou em jogos da Seleção?

    O argumento de que a TV não transmitia os jogos vale só até a década de 60 e, embora em preto e branco até 74, os jogos mostrados na telinha eram exatamente esses de maior público.

    Como é que um campeonato por pontos corridos pode agradar o público que adora decisões? O sistema atual, hoje, é igual a Seleção Brasileira, só agrada mesmo a maioria de nossos colegas cronistas. O povão, não!

    Você não tem idéia do tamanho do público que rejeita os pontos corridos, do mesmo tamanho do que torce, hoje, contra a Seleção Brasileira, embora não seja o meu caso

    Para tapar o sol com a peneira os nossos colegas vivem dizendo que o Brasileirão está cheio de decisões pelo título, pela Libertadores, pela Sul Americana e pelo descenso.

    Tirante a disputa pelo título, o resto não passa de pseudo decisões, que prefiro chamar de luta pela sobrevivência!

    Acabaram, (você sabe quem, nós sabemos) com o seu Rio Branco de Americana, com o meu XV de Jaú, o glorioso Galo da Comarca, com a Ferroviária, com o América de Rio Preto, com a Prudentina, para que falemos apenas do estado de São Paulo.

    Por isto, Jota, já não temos mais quantidade para tirar qualidade.

    Como toda a regra tem exceção, tínhamos o Oscar, o Lucas, ainda esperamos pelo Ganso mas só temos, mesmo, o Neymar, tudo o que nos restou.

    Aponte UM, eu não quero dois, nem três, nem quatro, mas apenas UM novo craque brasileiro da Copa da Africa até hoje.

    Quem sabe o Bernard, do Galo, mas só o Brasileirão de 2013 poderá confirmar,isto é, se ele não for vendido na próxima janela de transferências.

    Noves fora os goleiros, função que evoluiu a partir de Valdir Joaquim de Morais e com o aumento da média da estatura do brasileiro, as demais definharam.

    Temos, hoje algum lateral como Torres? Algum lançador como Gérson?
    Algum chutador como Nelinho ou Rivelino (não estou dizendo parecido, mas, melhor).

    Há algum meio campista com a qualidade de Ademir da Guia, de Pita, de Airton Lira ou de Rivaldo na década de 90?

    Algum finalizador como Romário ou Careca para que não se precise ir tão longe?

    E pontas tipo Joãozinho, Zé Sérgio, Edu (Santos), Ney (Palmeiras)
    para que nem citemos Julio Botelho, Dorval ou Garrincha.

    Nosso melhor craque, Neymar, baita jogador, tem pinta de que poderá, um dia, ser comparado a Pelé, a Zico, a Tostão?

    Gostei do tema, Jota e teclaria a noite inteira sobre o assunto.

    Parabéns! Mas não se esqueça de, de vez em quando, dar uma passada pelo meu OAV.

    Abs (AD)

    ResponderExcluir
  4. Belo texto, como sempre.
    Enriqueceu este espaço.
    Valeu pelo contraponto.
    abraço
    jota

    ResponderExcluir
  5. Desculpe, AD, esqueci de citá-lo no meu comentário acima. abraço. jota.

    ResponderExcluir