terça-feira, 29 de janeiro de 2013

HISTÓRIAS DO RÁDIO --ARMA DE BRINQUEDO

Quantas histórias nas andanças pelo rádio e tevê no interior brasileiro.

Certa vez fomos a Batatais transmitir um jogo da terceira divisão paulista pela Rádio Clube de Americana.

Chegamos no horário de almoço e fomos indicados a comer em um simpático restaurante do centro da cidade.
Ambiente realmente agradável e um garçom que tinha muitas histórias a contar.
Histórias relacionadas ao futebol, evidentemente.
Falou de uma partida decisiva do Batatais diante do Guarani de Campinas onde o "pau quebrou" e onde evidentemente a culpa pela derrota recaiu totalmente sobre o juiz.

Mas o simpático garçom fez a ressalva de que tudo tinha mudado e que atualmente em Batatais ninguém mais brigava no estádio e que as arbitragens eram muito bem recebidas.

Comemos bem, pagamos a conta, ouvimos muitas histórias e fomos direto para o estádio.

Armamos nossos equipamentos na cabine e estendemos o cabo de transmissão até o campo.
Isso era muito comum naqueles tempos, ou seja, os cabos ficavam acima dos torcedores que se postavam à frente das cabines de rádio.

O jogo começou e o time de Americana fez um a zero.
O jogo seguiu e o Batatais tomou o segundo gol.
Não é necessário dizer que o tempo esquentou ali bem na nossa frente.

A cada grito de gol deste simples narrador a galera olhava para cima e expelia palavrões de todos os naipes.
Palavrões que foram se misturando a ameaças.
Nós seguíamos com o trabalho e no fundo torcíamos para que nenhum gol mais acontecesse à nosso favor.

De fato não tivemos mais gols para a equipe de Americana, mas o árbitro deixou de marcar um pênalti a favor do Batatais.  Pelo menos na interpretação da torcida local.
E novamente passamos a ser o alvo predileto da massa, que enfurecida nos mirava com ódio e muita vontade de subir e nos executar.

Não demorou muito e os torcedores se penduravam nos cabos de transmissão.
Corríamos o risco de perder o contato com o repórter.
O diretor da nossa rádio subiu na mureta da cabine e passou a repreender a galera enfurecida.
Pronto.  Foi a gota d'agua.

Ficamos entrincheirados na posição de transmissão e nada de policiais por perto.
E o jogo comendo solto....
E este locutor tentando narrar.....

De repente vimos um cidadão com alguma deficiência física, pois tinha dificuldade em andar, subindo as escadas em direção à cabine.
E para o maior espanto, o cara tinha um revólver na mão.
Não é preciso dizer que abandonamos os microfones e cada um procurou proteção atrás das tribunas.
A transmissão saiu do ar.

Com a turma do deixa-disso entrando em ação, os enfurecidos foram acalmados e voltamos ao posto para narrar os últimos minutos do jogo.

E para um espanto maior de toda a nossa equipe, um policial encostou e disse o seguinte: "Fiquem tranquilos. O cara que estava subindo as escadas com o revólver na mão é vezeiro nisso e todos sabem que a arma é de BRINQUEDO. Ninguém mais liga pra ele".







Um comentário:

  1. huahuahuahuahuaahu...que situação!!! c já passou por cada uma também, hein?

    Aos corinthianos. Fiz um primeiro relatório sobre os jogadores emprestados do Timão, com potencial pra retorno, depois dá uma passada lá! Abraços,

    http://maisumdobando.blogspot.com.br/2013/01/emprestimao-relatorio-dos-emprestados.html

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