segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

BOICOTE DOS OPERADORES

Dentre tantas e tantas histórias do rádio, saliento uma que aconteceu comigo em Assunção nos anos 70.

Recém chegado na Rádio/TV Gazeta fui escalado para uma transmissão na capital paraguaia.

Naquele lance de contenção de despesas, a emissora decidiu enviar só o narrador, desprezando as presenças de comentarista, repórter e operador de áudio.

Recebi orientação do chefe de operações em São Paulo sobre como instalar a aparelhagem no estádio Defensores del Chaco.

Já no Paraguai percebi a inquietação de outros profissionais do áudio ( da Bandeirantes, Jovem Pan, Globo...) ao saberem que a Gazeta não havia mandado o seu operador.

E entendi perfeitamente o espirito de corpo dos cidadãos, pois realmente era um desprestígio à profissão e afinal era uma jornada em país vizinho e não no continente europeu ou sei lá mais onde.

* lembrando que na época não tínhamos o hoje useiro e vezeiro "off-tube" pois as televisões pouco transmitiam ao vivo jogos internacionais.

E olha, até hoje não entendi o que aconteceu, pois segui todas as regras que me foram passadas para o funcionamento do amplificador e que na verdade não eram tão complicadas.
Complicado foi o aparelho não funcionar e não ter ali um profissional da área para sanar o problema.

E para completar a má jornada não recebi ajuda de ninguém das outras emissoras brasileiras presentes.
Os operadores das demais rádios olhavam e pareciam estar "felizes" com o meu insucesso.

O jogo não foi transmitido pela minha rádio.
Foi uma grande frustração, mas acabei por entender o papel dos "concorrentes", que boicotaram em nome da "classe", a dos operadores de áudio.

Depois do ocorrido nunca mais a Gazeta deixou de enviar o profissional da área.




Um comentário:

  1. Meu caro Jota,

    Isto porque era uma rádio da Capital. Já vivenciei isso aqui no interior. Certa vez, por uma emissora sorocabana, fomos ao Martins Pereira, transmitir São José e São Bento. Sem operador de áudio, ao ligarmos a maleta, a voltagem estava errada e a jeringonça (há décadas, aquela maleta servia para as transmissões - tanto que o nome da rádio nela foi escrito a corretivo) queimou. Conseguimos fazer a transmissão com apoio do pessoal da Telefônica e de uma rádio de São José dos Campos.

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