segunda-feira, 13 de agosto de 2012

BRASIL x SUÉCIA - QUE SAUDADE!

Nesta quarta-feira teremos Brasil x Suécia em Estocolmo.

O estádio Rasunda será demolido e dará lugar a uma arena moderna, algo muito comum na atualidade.  As velhas praças esportivas dão lugar a novas edificações, atendendo ao conforto do mundo presente.

Foi nesse estádio, na capital sueca, que o Brasil deu show na Copa de 1958.  Jogou duas vezes alí e aplicou duas goleadas pelo mesmo placar: 5 a 2.  As vítimas foram as seleções da França e Suécia.

Me lembro claramente da final de 58.
Eu tinha pouco mais de 9 anos de idade e minha família se reuniu em torno de um rádio gigante - como eram todos da época - na sala de jantar da casa de meus avós paternos.

Um de meus tios, o fogueteiro da turma, preparava os rojões enquanto os demais palpitavam sobre o que aconteceria naquela final contra os suecos, enquanto as mulheres se esmeravam na cozinha preparando o almoço.

Meu avô Antonio não acreditava que o Brasil se tornasse campeão.
Ele ainda não tinha se convencido de que a seleção estivesse credenciada a vencer uma Copa.
Os demais botavam fé e afirmavam categoricamente que o adversário não daria nem pro cheiro.

Eu, ali, uma criança, mas já se encantando com a magia do futebol, ouvia a todos e imaginava como seria o palco da decisão, o estádio Rasunda.
Rasunda soava para mim como um nome forte, porém meio esquisito.
Minha mente viajava até Estocolmo e projetava imagens de como seria aquele lugar.
Pelé tinha 17 anos de idade, oito a mais do que eu, apenas.  Pensei nisso também.

O jogo começou por volta de 11 da manhã em nosso horário.

Vendo e sentindo o nervosismo de todos os adultos, fiquei um tanto quanto assustado e pensando o que aconteceria caso o Brasil não fosse o campeão.
E não faltavam os comentários negativos de que se o Brasil perdesse, o futebol "acabaria" por aqui.

O jogo começou e logo nos primeiros minutos saiu o gol da Suécia.
Que frustração.
Os pessimistas já decretavam derrota para o Brasil.
Os cautelosos e esperançosos diziam que Pelé e cia. iriam virar o jogo.
Eu ouvia os comentários e concluía que era só o começo da decisão e que tudo poderia mudar.

Pouco depois saiu o gol de empate.
Fogos, rojões, muita festa no bairro onde morávamos.

E o restante da jornada nem é preciso contar.....

Foi um momento marcante da minha iniciação no esporte.   Lembro de vários detalhes daquele dia ensolarado e frio de junho.

E agora em 2012 o Brasil volta a pisar naquele gramado, no velho Rasunda, inaugurado em 1937.
Alí o mundo delirou ao ver Pelé, Didi, Garrincha, Vavá, Zagallo e o timaço brasileiro.
Foi na capital sueca que o futebol verde-amarelo abriu caminhos para chegar ao Penta.

Nesta quarta acontece o jogo de despedida do Rasunda.
54 anos se passaram da épica conquista brasileira.
Muitos daqueles heróis já deixaram o Mundo Físico, outros ainda por aqui permanecem e certamente guardam vivas e preciosas lembranças daquela decisão.

Ah como eu gostaria de ter conhecido o Rasunda, que tanto me marcou na infância.

Nesta quarta quando estiver vendo o jogo pela televisão, certamente voltarei àquele junho de 58 e me transformarei mesmo que por alguns instantes naquela criança de 9 anos, que assustada ouvia pelo rádio a solene conquista brasileira.
Foi minha primeira grande alegria com o futebol.

Que saudade!









Um comentário:

  1. Olá Caro Jota, uma pena pra ti não poder narrar esse jogo da seleção, algo que seria de forma até sentimental e emocionante a sua pessoa, mas lendo esse seu depoimento ainda garoto torcendo pra Seleção, lembrei também do Max Gehringer, contando a história de seu pai no estádio na Copa de 50, mas extraordinário Jota, é sempre bom relembrar esses nossos momentos de emoção com nossa família e simultaneamente marcados por conquistas do nosso futebol.


    Grande abraço jota


    Domingos Arthur - (Arthur Dafs)

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