sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

HISTÓRIA DE UMA DECISÃO - 1974

Ainda sôbre gafes de locutores, tem uma outra história....

Decisão do Paulista de 1974.
22 de dezembro.
Palmeiras x Corinthians, Morumbi lotadaço.
120 mil pessoas.
Timão há 20 anos sem conseguir um titulo e estava melhor que o Verdão naquele momento.

Tudo parecia encaminhado para que o Alvinegro finalmente conseguisse o caneco.

As rádios do interior invadiram o Morumbi.
Gino Orlando, o então administrador do estádio, era rigoroso e jogava duro com as emissoras "caipiras".
Segundo ele, as rádios interioranas não podiam ficar nas cabines, pois as mesmas estavam reservadas para convidados especiais do Tricolor e as emissoras da Capital.

Então, fomos alojados em "camarotes" atrás de uma das metas, em péssimas condições, gente torcendo na nossa frente, e sem reportagens.
* A administração do estádio não permitiu que estendessemos os cabos para o gramado, impedindo portanto o trabalho dos repórteres.

Ao meu lado o comentarista José Lamanna, rádio Brasil de Campinas.
Lá embaixo o saudoso Renato Silva, mas MUDO, sem condições técnicas de trabalho.

Os times entram em campo e a luta para descobrir as escalações.
* hoje com os celulares, é claro que seria tudo muito fácil.

E o Palmeiras entrou com uma surpresa.
Na lateral direita, Jair Gonçalves, que era uma espécie de zagueiro/meio campista, e reserva.
Eurico era o titular absoluto da posição.

Começamos a transmissão "na raça", apenas contando com o conhecimento natural dos jogadores, a maioria bem conhecida, diga-se.

A bola rolou e quando foi passada para a lateral direita do Palmeiras, constatei que não era Eurico.
Olhei para Lamanna e cochichei "fora do ar" evidentemente, que o lateral não era o bom Eurico.

Ao lado, os colegas de tantas rádios do nosso interior também se perguntavam sobre quem era "aquele lateral"?

Só alguns minutos depois é que descobrimos ser Jair Gonçalves.

E aí veio a inevitável pergunta? E se Jair Gonçalves tivesse feito um pênalti, ou um gol, naqueles minutos iniciais da partida??

São as dificuldades que os cronistas passam em estádios, e especialmente em decisões, onde o tumulto é inacreditável.

O Palmeiras venceu por um a zero, gol de Ronaldo, quebrando mais uma expectativa da torcida corintiana em celebrar um titulo.

Na saída do Morumbi vimos bandeiras corintianas sendo queimadas pela galera alvinegra.
Uma das maiores frustrações da história do Corinthians.

Tempos depois, trabalhando com Leivinha pelo Sportv, ele me confidenciou que até o time do Palmeiras, naquela decisão, achava que o titulo seria do adversário.

Histórias do futebol, e dos jornalistas esportivos.

5 comentários:

  1. Jota

    Comentei esse Palmeiras 1 x 0 Corinthians.
    Também fiquei atrás do gol à direita das cabines de TV. não sei se na mesma posição de sua equipe.

    Lembro-me que a revista Placar disponibilizou uns quepes de papel gratúitos com o símbolo dos clubes para as torcidas.

    Sobraram os quepes do Palmeiras e faltaram os do Corinthians.

    Havia 80% de torcedores do Corinthians no estádio.

    Em campo, deu Palmeiras, 1 x 0, gol de Ronaldo.
    XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

    Sobre gafes de locutores, uma de Milton Naves da Rádio Itatiaia de Belo Horizonte que transmitia um jogo do Atlético em Terezina.

    Com problemas na linha telefônica e preocupado em reestabelecê-la, ele não viu o gol do Galo pois cobersava com o operador da telefônica.

    Quando a linha voltou, narrou o primeiro tempo inteirinho, a partir dos 10 minutos, como se o jogo estivesse 0X0.
    Detalhe: ele estava sozinho, sem operador.

    No intervalo a turma da rádio em Belo Horizonte perguntou pela linha de serviço se o jogo estava mesmo 0x0 porque as outras rádios informavam que o placar era 1 x 0 para o Galo.

    Ao verificar o resultado, Milton viu que estava errado e desculpou-se ao microfone, retomando a transmissão com dignidade profissional.

    Foi uma gafe e tanto.

    (Só nominei o profissional porque além do caso ter sido público, ele jamais negou a ocorrência do mesmo) (AD)

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  2. Alcides, lembra também de uma transmissão da rádio Tupi/SP no exterior, quando a equipe no estádio, atrapalhada por torcedores à frente, não percebeu um gol anulado???
    Precisou o plantão corrigir, pois as agências de telex informavam o placar correto.
    Era jogo da seleção brasileira.

    Histórias da comunicação, gostosas, marcantes.

    abraço
    jota.

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  3. Jota

    Essa transmissão ocorreu no Egito, na década de 70 e o narrador foi o extraordinário Haroldo Fernandes, da escola de Geraldo José de Almeida sem favor um dos melhores do rádio brasileiro em todos os tempos.

    Ele me contou essa passagem em uma oportunidade em que estive na casa dele em São Paulo, muito antes de Haroldo encerrar a carreira e mudar-se para Caxambu onde reside até hoje.

    Ele mesmo me contou como ocorreu.

    Os egípcios nunca haviam visto tantas rádios transmitindo um evento futebolístico e nem sabiam como fazê-lo.

    Não havia cabines e os locutores brasileiros estavam amontodoados em um canto do estádio.

    O Haroldo, como vc se lembra, não era alto e como ele não tinha a visão do gramado, fez uso de um velho recurso, a dublagem.

    Como ele me disse , pela primeira vez um jogo foi dublado de dentro do estádio.

    O que fez Haroldo? Na impossibilidade de enxergar o campo,inteligentemente posicionou-se atrás do gigante Jorge Cury e passou a repetir tudo o que o locutor da Nacional do Rio de Janeiro falava.

    Cury, além do vozeirão, transmitia no melhor estilo da escola carioca, lento e vibrante.

    Era o ideal para uma dublagem, mas o alarido da torcida nos lances agudos impedia Haroldo de saber, muitas vezes, o que estava ocorrendo.

    O gol foi perdido nessa circunstância em que o grande Haroldo, heroicamente, fazia o impossível para manter os seus ouvintes bem informados.

    Não se pode culpá-lo, até porque ele também estava sozinho naquele momento. Seu repórter e seu operador lutavam para tentar viabilizar a transmissão.

    Ainda bem que Manoel Ramos, da Sala Nacional e Internacional colocou as coisas em órdem e a vida seguiu sempre com muito sucesso para o corintiano narrador e advogado procurador do município de São Paulo. (AD)

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  4. JOTA,

    Nossa... agora vc mexeu com o "coração do turquinho"...

    Vale destacar que essa derrota custou ao Time do Parque São Jorge o seu então ídolo maior, Roberto Rivelino, que, iria transferir-se para o Fluminense, por ter sido considerado (por alguns)um dos maiores responsáveis, injustamente diga-se de passagem, pois, a voz era unânime em relação ao Corinthians... esse jogo foi uma das "peças que a vida do futebol prega". Adolescente ainda, ouvia meu Hitachi sentado na sarjeta da Rua Moraes Barros em Pira, tomando uma birra com alguns amigos, confesso que chorei...não sei se pelo título ou se porque pressentia a saída do Reizinho do Parque, que, eu não conseguia ver com outra camisa... tá aí, mais uma história prô ceis!

    Forte abraço e já ouvi falar em "livro com histórias do rádio", mas, acho que isto tem que acontecer logo... se é que já não existe, pois, o rádio é muito rico em fatos pitorescos como estes historiados por vc e pelo Sr. Alcides Drummond, dentre muito outros... que, só lendo mesmo!

    PAULOFILÉ

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  5. Jota

    Me lembro desta partida. Tinha dez anos e morava no sítio, em Santo Antonio da Platina-PR e não tínhamos telivisão. Fomos assistir ao jogo na casa de um tio do meu pai que morava na cidade. Fomos de charrete. Que alegria no final da partida. Nunca me esqueço daquele gol do Ronaldo.

    Um abraço.

    Edinelson
    Americana

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