terça-feira, 22 de março de 2011

A HORA DE PARAR

O trauma de encerrar a carreira é realmente preocupante, especialmente as pessoas públicas, de grande visibilidade na mídia.

Muitas vezes reclama-se da fama, dos fãs, do assédio, dos autógrafos pedidos e tudo mais.
Mas quando o artista - de qualquer atividade - sai de cena e é praticamente esquecido, o resultado nem sempre é positivo para ele.

Vemos isso a todo instante no mundo do esporte, principalmente o futebol.

Estando em Presidente Prudente no fim de semana, falei ao telefone com o ex-atacante Sinval, que tantos gols fez por onde passou.

Sinval está com 39 anos de idade e parou de jogar há duas temporadas.

Hoje ele mora em Andradina e cuida de negócios, sem poder reclamar dos resultados financeiros.
Mas a saudade dos gramados ainda cala no coracão de Sinval.

Me confidenciou que ainda não consegue ir aos estádios sem sentir angústia e um certo panico.

Outro dia ele esteve no Canindé com amigos para Portuguesa x São Paulo, e aos 25 minutos de jogo foi embora, tal a ansiedade e o desconforto de estar "apenas" assistindo.

Revelo esse relato de Sinval para abordar exatamente o tema "fim de carreira".

Ontem à noite transmiti a Superliga de Vôlei e o ex-jogador Carlão trabalhou na jornada.
Perguntei a ele como foi a saída de cena.
Carlão parou em 2003 e disse que nos primeiros dois anos sofreu demais.
Hoje está muito bem de cabeça e não sente mais reflexos da parada.

O ex-atleta, se não for bem assistido por parentes e verdadeiros amigos, realmente entra em parafuso.
Há inúmeros casos de ex-jogadores que enveredaram pelos sombrios caminhos da bebida e acabaram destruindo a vida.

Uma ajuda psicológica funciona positivamente, é claro, mas sabe-se também que uma minoria procura por profissionais da área para um bom tratamento.

Alguém poderia perguntar como estaria a "cabeça" de Ronaldo Fenômeno neste momento?
Não sei dizer, pois não tenho acesso ao convivio intimo dele, nem tenho informações, mas o caso de Ronaldo é emblemático no tema que aqui estamos expondo.

Estamos falando de atletas, ex-atletas, mas em outras atividades a gente constata profissionais que se aposentam e sem se ocupar de algo posteriormente, também têm crises depressivas com a mudança de ritmo e rotina.

Na verdade, somos todos frágeis em todos os sentidos.
Ninguém aqui encarnado é Super-Homem.
Temos de passar por essas fragilidades, pois nossa estrutura emocional ainda é pequena e profundamente volúvel.

Nenhum comentário:

Postar um comentário