terça-feira, 16 de novembro de 2010

NARRADOR DE FUTEBOL

Quando me perguntam sobre a importância do narrador esportivo, analiso com frieza e dou respostas que muitas vezes se chocam com o pensamento coletivo.

Em primeiro lugar, é preciso fazer a distinção entre o narrador de rádio e o de televisão.

O comunicador do rádio é mais importante, porque é ele quem relata o evento em minúcias e detalhes, tendo a enorme responsabilidade de formar a imagem da partida para o ouvinte.

É ele quem desenha o que se desenvolve no gramado e nas arquibancadas. Ele é o guia do ouvinte. Mentor das idéias e do relato.

Precisa ser ágil, fotografar mentalmente tudo o que está à sua frente e transmitir todas as cores do que se lhe apresenta.

Tem de colocar a dose certa de emoção. Viver as emoções dos lances e passar para os ouvintes.
A linguagem do rádio é a da emoção, mesmo em eventos mornos.

O locutor de rádio numa transmissão de futebol é quem carrega nas costas a carga maior.
Tudo é importante, é óbvio, como o analista, os repórteres, os coordenadores, produtores, operadores técnicos, e tudo mais.
Mas se o narrador não tiver carisma, tudo desmorona.

Já na televisão, tenho uma visão diferentes e algumas vezes contestada até por diretores do veículo.
Não vejo o narrador como a principal peça da máquina.
Em primeiro lugar tem a IMAGEM.
Televisão é o que? IMAGEM.

Assim, a imagem é que prepondera.
Os comunicadores apenas fazem parte do trabalho, ilustrando o que o telespectador está vendo, e nada mais.
É preciso cuidados, obviamente.
É preciso muita atenção aos cortes do diretor de imagens.
É preciso respeitar o que o telespectador está assistindo.

É preciso estar inteirado do evento, com todas as informações.
Precisa estar situado no contexto do espetáculo que se desenrola.

Alguns diretores de televisão acham que o narrador deve ser um animador de transmissão.
Já ouvi isto de importantes diretores.
Outros entendem que quanto mais polêmico o comunicador, melhor para a repercussão do trabalho.

Mas aqui do meu simples cantinho, prefiro que o narrador seja discreto e que não queira ser mais importante do que as imagens transmitidas.

Descontrair é uma coisa, superar-se às imagens é ir na contramão do veículo.

Não falo apenas como um profissional da área, mas como um telespectador que também sou.

Pessoalmente, não gosto que o narrador me inquiete no sofá.
Não gosto que a minha inteligência e o meu discernimento sejam aviltados, com imposições ou coisa que o valha.

É claro que o narrador precisa, em alguns momentos, ser incisivo e emitir o seu parecer - embora essa tarefa seja especialmente do comentarista - mas na dose certa.
Fazer prevalecer a sua opinião não é legal.

Em resumo, a função do narrador esportivo é séria, dificil e muito delicada.
Mexe com as emoções das pessoas.
Conflita, às vezes, com a interpretação de quem está do outro lado.
Está todo o tempo exposto na vitrine.
São centenas de milhares de pessoas ouvindo e tendo suas conclusões.

Deixo claro nesse post que são observações pessoais sobre a profissão. Nada mais do que isso.

Longe de mim lançar criticas a companheiros. Não tenho o direito e nem autoridade para tal.

Cada um faz do seu jeito, de acordo com as suas convicções e características.

21 comentários:

  1. Post bacana Jota, só incentiva aqueles que querem começar na profissão como eu. Aliás, que dica que você pode dar para quem quer começar na profissão de locutor esportivo? Seja no rádio ou na televisão. Abraços Jota, acompanho sempre seu trabalho...

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  2. Parabens concordo com vc,por isso que esse grande profional.

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  3. Renan
    Primeiro é preciso estudar comunicação, seja na faculdade ou em algum curso técnico de rádio e tevê.
    Narrar é algo que já está dentro da gente. É preciso descobrir se temos esse "algo", esse dom.
    E se tiver, passar a exercitar narrações, primeiro pra si próprio ( gravando em casa diante da televisão ) e verificando se está no caminho certo.
    Se puder narrar em alguma rádio que ofereça a oportunidade pra quem está começando, melhor ainda.
    Fazer fonoaudiologia é muito importante, também.

    É mais ou menos por aí.

    abraço.
    jota

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  4. Eu faço curso profissionalizante de locução e depois pretendo fazer um outro curso voltado para a locução esportiva. No curso tem aulas com fonaudiólogas. Mas pretendo procurar uma particular. Já treino em casa sim, tenho alguns áudios, caso o Senhor queira ouvir e fazer um juízo eu ficaria muito agradecido.

    Quanto à descoberta eu até acho que demorou um pouco. Quando eu era mais novo eu narrava nos jogos de videogame, acho que isso era um sinal..rs

    De qualquer forma, muito obrigado pelas dicas, Abraço

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  5. Caro Jota (1)
    Concordo com 95% de sua exposição. Há uma grande convergência em nossas opiniões.
    Quem quer rádio na TV que mude para a Colômbia. Lá os locutores de TV transmitem como se fosse rádio. É duro de ouvir, é cansativo.
    Vc disse que considera o narrador um complemento da imagem. Essa é a mais pura verdade.
    Locutor de TV não tem de ser animador de transmissão, mas mero identificador da imagem a serviço do telespectador.
    Aqui em BH tem um menino com bom padrão vocal, lindo grito de gol, mas não narra nada porque não conhece nada e compromete as transmissões.
    Não vou identificá-lo. Não quero fazer mal a um garoto que há pouco era apenas um discretíssimo repórter.
    Talvez discordemos em 5% pq sou radical, inflexivel e ortodoxo no que respeita ao relato do jogo na TV.
    Eu e milhares queremos saber sempre quem está com a bola.
    Não quero comprometê-lo mas um colega seu narrava recentemente um jogo do Palmeiras e era um galvãozinho perfeito, sem a classe, a voz, a cultura, o gabarito a experiência, a vivência e os conhecimentos do velho Galvão.
    Fui assistir a outro jogo. Não deu para tirar a voz do narrador e colocar o som de uma emissora de rádio. Estou em Belo Horizonte. Nenhuma rádio daqui cobria o Palmeiras.
    Os caras não conheceram o Galvão da década de 80 quando começou na Gazeta e transferiu-se para a Band. Deve ter sido seu contemporâneo.
    Naquela época ele tinha voz,fôlego e narrava em cima do lance. Era uma beleza! Creio que você se lembra disso.(continua)

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  6. (continuação) 2
    Mas o tempo passou e o Galvão encontrou uma fórmula que lhe exige menos da garganta e dos pulmões, o relato em comentários. Não gosto!
    Quanto a vc, fique tranquilo e continue narrando como sempre o fez atendo-se a bola que, afinal de contas, é o que está sendo mostrado na tela.
    Não se trata de um audio-visual? Bla-bla-bla demais em cima do jogo quebra a integração audio visual e a transmissão vira o samba do crioulo doido.
    Se as câmeras apontarem para as arquibancadas, que o narrador mude o relato para o que está sendo mostrado.
    Já narrei dezenas de jogos pela TV sem o seu gabarito, é claro, e sei das dificuldades que quem está de fora não percebe.
    De minha parte eu apreciaria muito se você evitasse ao máximo de comentar. Não que você não saiba, você também é craque nisso. Penso que, de preferência, o narrador não deve se queimar. O comentarista, pode. É inerente ao cargo.
    Creia, nem seria preciso dizer isso, que você se enquadra, perfeitamente, como um dos mais perfeitos locutores de tv deste país.
    Os problemas mnaiores dessa profissão são os ciúmes e a inveja, Enquanto você está dando o duro e trabalhando com seriedade, dezenas cobiçam-lhe a posição. Fazem-lhe críticas junto aos dirigentes, desvalorizando e deslustrando a sua atuação, por melhor que ela seja. Ao menos em meu tempo, era assim! (AD)

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  7. Obrigado, Alcides.
    Valioso depoimento.
    abraço.
    jota

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  8. Orlando, João Pessoa/PB (ocaj2010@hotmail.com)17 de novembro de 2010 14:08

    Lendo esse seu post, Jota, lembrei (lembranças de infância) de Joselito Lucena.

    Ele foi um extraordinário locutor esportivo da Rádio Borborema de Campina Grande/PB, cidade onde me criei. Dicção perfeita, beleza e velocidade vocais fenomenais.

    Eu ficava impressionado como alguém conseguia pronunciar tantas palavras com tanta velocidade sem perder o fôlego e sem cometer praticamente erro algum. Era tudo ali, na hora, ao vivo. Fantástico! Parecia coisa de repentista. E mesmo quando, pela primeira vez, assisti a um jogo no estádio com um radinho de pilha ao ouvido, sintonizado na voz dele, as diferenças entre o que os meus olhos viam e os ouvidos ouviam não diminuíram em nada a minha admiração por ele.

    Eram diferenças de ritmo, de intensidade. O jogo lá no gramado ganhava beleza, emoção e sentido quando entrava nos meus ouvidos. Ele não mentia sobre os fatos; apenas os aquecia. Ele dava relevo à narração. Ele dava dignidade ao jogo.

    Aquilo que ele fazia, para mim, tinha alguma coisa a ver com literatura. Ele "escrevia" o jogo com a voz, e eu adorava "ler" aquela "escrita", mesmo quuando não se referia ao meu time de coração.

    Ótimas lembranças, Jota.

    Acho que você faz o mesmo na TV, Jota. Claro, linguagem de TV é meio bossa-nova; a de rádio, rock'n roll.

    Gosto dos dois.

    Abraço

    Orlando

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  9. Orlando, são os artistas do rádio.
    Bela lembrança a sua do grande Joselito, uma homenagem bonita.
    Aqui no Sul tivemos Fiori Gigliotte, um poeta com o microfone na mão ao descrever futebol.
    São pessoas iluminadas, mentores da comunicação, genios.
    Obrigado pelo recado, amigo.
    abraço
    jota

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  10. Caro amigo Jota

    Que depoimento heim, muito legal e interessante onde concordo com você em 110%, foi muito feliz nas observações, pois também acho que é muito emocionante ouvir pelo radio, com um bom narrador passando as emoções o ouvinte do outro lado imagina a jogada, as vezes uma jogada horrivel e pela emoção da narração torna em nossa mente uma bela jogada e na TV se o narrador me "inquietar no sofá" ligo o rádio, o que não acontece quando você e poucos outros estão transmitindo pois com muita calma e transparência na narração também trazem a emoção, pois não perdem o foco.
    Outro dia assistindo uma entrevista de um dos melhores narradores de rádio na minha opinião Antonio Edson, de Americana estava contanto um caso onde chegou atrasado para a partida por erro de informações, e que através da sumula do jogo narrou e passou a emoção com o se o jogo estava sendo naquele momento, achei muito legal isto.


    Abraços

    Emerson Mateus
    Santa Bárbara d´Oeste SP

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  11. Jota e Orlando

    Conheci Joselito Lucena, o comentarista dele, o Olé e, se fosse possível, gostaria de ter notícias dos dois. A última notícia que tive de Joselito, há muitos anos, era a de que ele havia se transferido para a Rádio Caturité de Campina Grande. Tinha parado de narrar e virado comentarista. O filho dele que tinha um nome parecido com Rosan, não me lembro mais exatamente como era, é que passara a narrar os eventos. Transmiti dezenas de jogos em Campina Grande e me hospedava, então, no Hotel Ouro Branco, que era o melhor da cidade e tinha um atendimento espetacular. Não sei se o Hotel ainda existe. Mas a minha preocupação agora não é a "terra das biciletas, do frio, das festas juninas e do forró", mas Joselito Lucena e Olé. Quem tiver notícias deles, passe-as, por favor, pelo blog do jota, ou email-me alcidesdrummond@yahoo.com.br

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  12. Orlando, João Pessoa/PB (ocaj2010@hotmail.com)18 de novembro de 2010 15:28

    Alcides

    Vivi em Campina Grande de 1970 até 1992. Meus pais e meus irmãos ainda moram lá. Não vou lá com muita frequência, mas posso conseguir informaçõs sobre Joselito Lucena e Olé. Não tenho certeza, Alcides, mas me parece que Joselito já faleceu. Vou checar isso para você. Tenho dois amigos em Campina que são radialistas: Iponax (eu sei, parece nome de remédio, mas é mesmo o nome dele), filho do grande repentista Ivanildo Vilanova; o outro Abílio Diniz, ex-colega de escola primária. Tenho ainda um primo, Germano Barbosa, escelente radialista que trabalhou durante muito tempo na Rádio Tabajara, aqui em João Pessoa. Acho que com eles conseguirei fácil alguma informação.

    Jota, qua coisa incrível! O mundo é mesmo pequeno. Você também conheceu Joselito Lucena? Quem sabe naquela ocasião em que você esteve em Campina Grande trabalhnado no jogo do Treze contra o Palmeiras de Leão e de Jorge Mendonça(nós já falamos sobre esse jogo, lembra?).

    Alcides, assim que eu tiver qualquer notícia sobre Joselito e Olé terei o imenso prazer de escrever para você.

    Ah, o nome do filho de Joselito é Rostan Lucena. Quanto ao hotel, o prédio continua lá, do mesmo jeito, mas, na última vez que estive lá, não vi o nome Ouro Branco na fachada. É possível que tenha mudado de nome.

    Jota e Alcides, quando vierem à Paraíba, por favor, me avisem. A gente pode dar uma passada por lá.

    Um grande abraço, amigos

    Orlando

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  13. Orlando

    Sou-lhe grato pelas informações e espero que não se confirme a sua dúvida quanto ao Joselito, grande figura humana.
    Se puder dê uma passada por meu blog. www.observatorioalviverde.blogspot.com
    dedicado, exclusivamente ao Palmeiras.
    Um abraço! Desculpe-me, Jota se estou sendo oportunista e aproveito de seu prestígio divulgando em seu espaço o meu blog. Um abraço a você também.

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  14. Alcides, o espaço aqui é nosso. Disponha sempre, por favor.
    Abraço e bom fim de semana.

    jota

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  15. Amigo Emerson, valeu.
    Obrigado.
    Leão da 13 tá sendo montado, hein??? Parece que está no caminho certo.

    abraço.
    jota

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  16. Só alguém como Jota Jr. para escrever algo tão importante e sem atingir pessoas ou profissionais,e mais que isso, fazer com que seus assíduos frequentadores opinassem em altíssimo nível. Jota, você é mesmo alguém muito especial (se bem que isso não é novidade nenhuma). Abraços,
    Rogério Assis

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  17. Orlando, João Pessoa/PB (ocaj2010@hotmail.com)20 de novembro de 2010 13:29

    Alcides,

    Na verdade Joselito está vivíssimo. Vivíssimo e trabalhando junto com o filho, Rostan, na Rádio Caturité. Ele chefia a equipe esportiva daquela emissora e continua narrando eventos esportivos. Segue aí o link da página daquela rádio: http://www.radiocaturite.com.br

    Nessa página tem telefone endereço de email e tudo. O que acha de um telefonema ou um email seu para Joselito?

    Creio que a surpresa e alegia fariam muito bem para vocês dois.

    Quem faleceu foi o polêmico comentarista esportivo Humberto de Campos. Lembra dele? Isso já faz 4 ou 5 anos.

    Quanto ao seu blog, darei, sim, uma olhada com carinho.

    Um abraço, Alcides

    Um abraço para você também, Jota.

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  18. Admiro muito o seu trabalho Jota, tenho 17 anos, sou de Aracaju-SE, gosto muito de narrar durante os fins de semana quando eu e minha família nos reunirmos para assistir os jogos e comer churrasco, sempre quando sai gol faço igual a Luiz Penido, " Ensaca, Ensaca Fluzão" que é o meu time de coração, e isso sempre foi motivo de graça entre os meus primos e tios, quando estamos jogando vídeo game, narro o jogo todo, até quando estou sozinho, a empregada lá de casa só já não me chamou de pessoa normal, kkk, eu pretendo investir na carreira de Narrador, o que eu faço? Um curso técnico de radio e tv, faço Jornalismo na universidade? Me dá uma dica aii
    Abração

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  19. Amigo.
    O ideal é que faça Jornalismo. Mas pode também fazer os cursos técnicos de rádio e tevê. Mas para narrador, é exercitar cada vez mais, e procurar se introduzir em uma rádio local, pequena, para poder desenvolver seu talento.
    BOa sorte.
    abraço
    jota

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