quinta-feira, 18 de novembro de 2010

FLÁVIO ARAÚJO, O GRANDE NARRADOR

Prosseguem as justissimas homenagens a Eder Jofre, que em 18 de novembro de 1960 conquistou o título mundial dos galos diante de Eloy Sanches.

Aproveito a data para homenagear e lembrar do grande narrador dos memoráveis combates de Eder naquela época: FLÁVIO ARAÚJO.

Ouvia as lutas de Eder pelo rádio e a comunicação do estupendo Flávio.

Brilhante narrador, inteligente, culto, fiel aos acontecimentos, vibrante.
Além do ser humano especial que sempre foi.

Quando fui contratado pela rádio Bandeirantes, tive a enorme responsabilidade de entrar no lugar de Flávio Araújo, começo de 1980.

Araújo deixava a emissora do Morumbi depois de quase 30 anos de casa.

Um nome consagrado do rádio.

Uns dias depois de assinar o contrato, encontrei Flávio pelos corredores da Bandeirantes.
Fui cumprimentá-lo e já nos conhecíamos de viagens e jornadas.

Naquele fim de semana ele faria a sua despedida transmitindo um jogo no Morumbi.

Para a minha surpresa, Flávio me parabenizou por chegar à emissora e me convidou para acompanhá-lo na sua última transmissão pela Band.

Me disse que seria importante eu estar na cabine ao seu lado, afim de tomar conhecimento do esquema de transmissão e de como tudo funcionava.

Enfim, uma pessoa de grande caráter, compreensiva, amiga, solidária.

Poderia perfeitamente estar revoltado com a saída da emissora e desprezar qualquer tipo de ajuda e cortesia a quem estivesse chegando, mas Flávio Araújo deu um exemplo raro de maturidade e de coleguismo.

Nunca me esqueci disso.

E agora quando se comemoram os 50 anos do titulo mundial de Eder Jofre, rendo homenagens a Flávio Araújo, hoje morando no interior paulista e com a merecida aposentadoria.

Nunca tive oportunidade de dizer isto pessoalmente a ele, mas escrevo agora com todas as letras: UM DOS MEUS IDOLOS DO RÁDIO.

7 comentários:

  1. Bom dia, Jota.

    Poxa. Que bacana essa história sobre o Flávio Araujo. Realmente são poucas as pessoas que têm essa humildade e a disposição de ajudar alguém.

    Mas você pode se sentir como um "Flávio".

    Na última Copa São Paulo de Futebol Junior, na final entre São Paulo e Santos, fui ao Pacaembu com um amigo jornalista chamado Wagner Belmonte. Entramos na área de imprensa e, enquanto meu amigo conversava com seus colegas da rádio Bandeirantes, aproveitei para conhecer o local.

    Quando olho à minha direita, vejo um narrador vindo com seu terno na mão na direção em que eu me encontrava. Esse narrador era você.

    Na hora pensei: "Será que devo conversar com ele?". E fui.

    Me apresentei dizendo que era o Fernando Richter, que costuma comentar seus posts no blog, e você se lembrou de mim.

    Mais do que isso, foi muito legal comigo. Me ouviu e ainda disse que eu era bem-vindo. Tudo que um jovem estudante de jornalismo quer ouvir.

    Se eu já era seu fã, amigo Jota, depois desse dia passei a ser muito mais.

    Assim como ao Flávio Araújo, que não tive o prazer de conhecê-lo em atividade, parabéns também a você.

    Um grande abraço.
    Fernando Richter
    @fernandorichter

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  2. Outro abraço, Fernando.
    Tudo de bom, amigo.
    jota

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  3. (continuação II)

    Flávio foi chamado injustamente de "pé-frio" a partir de um fato mencionado por você, Jota, quando narrou a derrota de Eder Jofre no Japão para Masahiko Harada. Eder estava invicto há muitas lutas e o entusiasmo em relação a ele no Brasil era extraordinário, Ele tornara a sua carreira de boxeador tão visível, à época, quanto o próprio futebol.
    Basta que se diga que após derrotar o mexicano Joe Becerra e ganhar o título mundial dos galos,
    teve uma recepção quando de sua chegada ao Brasil que nenhum jogador de futebol ou atletas de qualquer outra modalidade, haviam recebido. Foi uma apoteóse.
    Os invejosos de plantão, trataram de culpabilizar Flávio pela derrota e maldosamente
    lhe imputarm a pecha de pé-frio. A inveja foi decorrrente de uma transmissão que teve audiência unânime da Rádio Bandeirantes que comprou os direitos de Arena com exclusividade, na primeira vez em que ouvi falar nisso.
    Na Rádio Tupi, Pedro Luis tentava segurar o seu público e narrava o evento como se estivesse recebendo telegramas diretamente do Japão, de trinta em trinta segundos, mas tava mais na cara do que bigode, que acompanhava o relato de Flávio. Eu acompanhei as duas transmissões em dois rádios.
    Então, Flávio foi o primeiro narrador brasileiro a narrar no Brasil um evento com exclusividade da compra de direitos. Talvez nem ele tenha se dado conta disso.

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  4. Para encerrar, já que pego o gancho proporcionado pelo Jota, quero dizer que Flávio tem um currículo
    notável em sua trajetória radiofônica.
    Transmitiu várias copas do mundo e nos filmes da maior de todas as copas, a de 70, ele está imortalizado aprecendo entre os narradores focados pela produção daquele filme.
    A última vez em que vi Flávio transmitindo um evento esportivo, foi em 1988, no Maracanãzinho. Ele transmitia pela Band a luta
    Maguila x Evangelista. Eu defendia outro prefixo e fiz o relato concorrendo com Flávio.
    Senti-me muito orgulhoso em poder concorrer com aquele que era um de meus locutores prediletos ao tempo de minha infância e de minha juventude.
    Eu poderia ficar falando horas e horas a respeito de Flávio, sem qualquer dúvida, um dos gigantes da comunicação esportiva no Brasil. Só que do Flávio não preciso perguntar onde ele está. Uma das razões de eu comprar o "Agora São Paulo" é a coluna muito bem escrita por ele nesse periódico. Flávio mostra que, se é um grande craque falando, é, também, um grande craque escrevendo.
    Obrigado Jota pelo espaço. Desculpe-me se abusei.(AD)

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  5. Jota
    Bons tempos, me lembro do Flavio Araújo, na epoca eu era criança e na minha casa só se ouvia a Bandeirantes, me lembro também do Enio Rodrigues,Luiz Augusto Maltoni, de você, tinha um reporter de apelido "Olho Vivo" e é logico o Fiori.
    Abraços
    Roberto Carlos

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  6. Caro Jota
    Foi com grande alegria que achei seu relato sobre essa passagem com meu Pai, Flavio Araujo. Vou encaminhar o link para que ele mesmo possa ler, e tenho certeza que ficará muito feliz.
    E complementando o comentário do Alcides Drummond, essa narração do Jofre x Harada deveria estar no Livros dos Recordes, pois a Bandeirantes comprou os direitos, e transmitiu pela Cadeia Verde Amarela, e depois a Rede Jovem Pan também entrou em Cadeia, o que formou a maior cadeia do Rádio Brasileiro numa única transmissão. Esse fato é contado no Livro 'O Radio, O Futebol e a Vida', escrito pelo Flavio Araujo e editado pela Editora SENAC.
    Abraço
    Silvio Américo
    O Corredor do Apito

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  7. Oi, Silvio.
    Concordo quanto a Jofre x Harada estar no Livro dos Recordes.
    Li o livro de seu pai logo que foi lançado. Tenho comigo.
    abraço e reforço minha admiração e respeito pelo pai Flávio, uma entidade limpa e totalmente do BEM.
    Parabéns!
    abraço do Jota.

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