sábado, 3 de abril de 2010

MEU RIO BRANCO CAIU

Me socorri do amigo Bachin Júnior para a transmissão de Rio Branco 0 x Portuguesa 2.

Resfriadíssimo desde a quinta-feira, imponho-me um tratamento de choque para estar bem amanhã no Morumbi. São Paulo x Botafogo, quatro da tarde, no PFC.

Duas jornadas consecutivas talvez não fossem recomendáveis.

No Morumbi neste domingo estarei com Wagner Villaron e Carlos Cereto.

Quanto ao meu Tigre, o Rio Branco de Americana, aconteceu apenas o arremate do que vinha sendo previsto: o rebaixamento.

Foi tudo muito difícil para o alvinegro neste início de 2010.

Grana curta, cotas do Paulistão bloqueadas pela Justiça, bilheterias fraquíssimas, estádio interditado desde a primeira rodada, time tecnicamente fraco, greve dos atletas, um mundo de coisas.

Não vejo o rebaixamento de qualquer equipe como uma tragédia. Absolutamente.

Alguém tem de cair.
Grandes clubes do futebol mundial já experimentaram o rebaixamento.
É cair, se reerguer e lutar para voltar. Na vida das pessoas é assim.
Esmorecer, jamais.

A questão que muitas vezes debato é sobre a insolvência de muitos clubes e que insistem em tocar o futebol profissional, engrossando o déficit e comprometendo o patrimonio das instituições.

Na vida, quando um negócio não vai bem ou não dá certo, reformulam-se os planos.
Ou se fecha a empresa.
Não é assim?

No caso do Tigre, já se reformulou tanto, já se fez parceria, parecem esgotadas todas as tentativas.

Como no futebol as perspectivas dos clubes médios e pequenos são as mais funestas possíveis, acho teimosia insistir em continuar e aumentar as dívidas.

Talvez seja o caso do meu Rio Branco.
Já está provado que o futebol, nos dias de hoje, para o Alvinegro, não é mais viável.
É insistir e comprometer ainda mais o nome do clube.
Não é honesto com a história e o patrimonio da associação.

Com o detalhe de que já faz tempo a torcida riobranquense não comparece ao estádio.
Passou a fase da euforia dos simpatizantes da agremiação.
Digo simpatizantes, porque a imensa maioria dos torcedores americanenses pertence aos grandes clubes da Capital.

Seria muito triste testemunhar o "fechamento" do futebol do Rio Branco, eu que em algumas oportunidades debati com dirigentes a questão, tentando demove-los da idéia de acabar com a bola do Tigre.
** Começo dos anos 80, por exemplo.

Mas hoje, 2010, com tudo o que está por detrás das finanças do clube, eu não faria nenhuma resistência a que o futebol alvinegro acabasse.
Como já ocorreu no final da década de 50.

Melhor ficar sem futebol do que ver o patrimonio da associação ser dilapidado impiedosamente.
Afora as questões dos trabalhadores do clube - do futebol e da agremiação em si - que têm ficado sem os salários e os direitos trabalhistas.

É uma falta grave deixar de pagar os salários.
São famílias que ficam à deriva, sem perspectivas.

Mas, enfim, o jeito é acompanhar o que vai virar daqui pra frente.

Some-se a tudo isso, a agravante de o Conselho já declarar que não irá saldar dívidas do futebol profissional com o dinheiro da venda da Sede Central ( cerca de R$ 10 milhões ).
O que me parece incoerente, porque as dívidas são do clube, independentemente de serem do futebol, da bocha ou da natação.

Perdão pela extensão do texto.
Mas é mais um desabafo de alguém que conheceu o clube há 50 anos atrás e que quer preservar a instituição, acima de tudo.

7 comentários:

  1. Alcides Drummond4 de abril de 2010 00:37

    Jota
    Lamento a situação de seu Rio Branco,decorrente, dos sonhos irrealizados de dirigentes abnegados que querem promover as cidades do interior, dando-lhes a dimensão de grandeza que merecem no esporte.
    Mas os tempos são outros em decorrência do mal que fizeram ao futebol brasileiro "cronistas de vanguarda" (Juca e sua troupe), promovendo em mutirão excrescências como a "Lei Pelé", extinção dos estaduais e Brasileiro, Série A, de maio a dezembro.
    Se a família é a celula-mater da sociedade, os clubes são a célula-mater do futebol.
    Somos um país de 8 milhões e meio de kms, tratados como se fossemos uma Suiça, de 42 mil kms , simplesmente porque o Sr. Juca colonizados que o é impõe que sigamos o calendário europeu.
    Essa gente nos fez perder a identidade, em nome de uma adaptação a outros costumes, outras culturas e outras necessidades.
    Canais tipo ESPN que colocam o futebol internacional em plano superior ao nacional, consolidaram esse golpe mortal contra o futebol brasileiro e estão criando uma nova geração de cronistas e torcedores que colocam em segundo plano as equipes nacionais.
    A doença é crônica e até a Rádio Bandeirantes (o ex-templo do rádio, hoje uma radiozinha inexpressiva com péssimas vozes e cheia de moleques brincando de fazer crônica esportiva, com raras excessões) aderiu, quem diria, ao modismo.
    (continua)

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  2. Alcides Drummond4 de abril de 2010 00:41

    (CONTINUAÇÃO II)
    Apesar de tudo, o Campeonato Brasileiro ainda monopoliza as atenções do público pois além de reunir a nata dos clubes do país, e é exibido em sua totalidade pela TV, paga ou não. Assim, quem irá assistir a um Rio Branco x Inter e Limeira,tendo na TV um Palmeiras, Corinthians ou qualquer dos grandes? Mesmo que estivesse na série B, um jogo do seu Rio Branco contra a Ponte não teria receita suficiente para pagar as despesas porque série B só interessa na reta final para efeito de classificação e promoção ou de rebaixamento.
    Jota, como o seu Rio Branco poderia
    sobreviver com dignidade em um quadro como esse?
    Nem ele nem o meu Rio Preto, o meu Comercial a minha Ferroviária, a minha Inter de Limeira, o meu XV de Jaú e outros clubes do interior pelos quais nutro uma enorme simpatia e que sucumbiram diante de tanta insensibilidade, tanta burrice e de tanto jogo de interesse.
    O seu Rio Branco também é uma vítima dessa armação de uma minoria da crônica que adora censurar os companheiros e ditar regras de conduta, mas que faz pior, porque está engajada politicamente a fim de auferir prestígio para influir diretamente no futebol, como o fizeram, de forma negativa até agora.
    Perdoa-me se estou sendo extenso e excessivamente crítico, mas há um outro aspecto a ser analisado.
    A Lei trabalhista, da forma como ela existe e está sendo aplicada, vai acabar, cedo ou tarde, com TODOS os clubes brasileiros, os grandes, inclusive. Ninguém vai escapar.

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  3. Alcides Drummond4 de abril de 2010 00:44

    (CONTINUAÇÃO III)
    O futebol deveria ter uma legislação própria e resolver tudo por sí mesmo, sem ter de se render às outras modalidades de justiça.
    Quanto à CLT, é muito bom receber as benesses dessa lei, absolutamente paternal, facciosa e injusta.
    Para quem está empregado é ótima, visto que o trabalhador tem direito a tudo e o patrão não tem direito a nada, nem a chamar a atenção de um empregado relapso, pois está sujeito ao pagamento de indenizações por dano moral.
    A Lei Trabalhista e a Lei Pelé,apequenaram e liquidaram TODOS os clubes do interior do Brasil e muitos sucumbiram, fecharam as portas e tiveram de entregar o patrimônio a jogadores inescrupulosos.
    Por que não votam em Brasília uma lei semelhante a da inalienação da casa propria, para que os clubes não percam as suas sedes e continuem existindo?
    A Lei Trabalhista, da forma como está colocada
    no Brasil, só favorece a quem está empregado, porque além de usufruir de todas as benesses decorrente da lei, o operário já aprendeu que há um segundo caminho para surrupiar à mão grande, mais dinheiro do patrão.
    Por isso não existe mais demissão sem a correspondente ação na justiça, com raras exceções.
    Os idiotas que aplaudem a Lei são uns tolos porque a CLT é hoje, o maior fator de desemprego e de miséria no país.

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  4. Alcides Drummond4 de abril de 2010 00:46

    FINAL
    Aliás, ninguém mais quer empregados.
    Eu conheci um radialista famoso em São Paulo, imenso profissional, natural de Rio Claro, que especializou-se em ações contra as emissoras em que trabalhava na justiça do trabalho.
    Ele movia as ações com ou sem razão e faturou muitos milhões dos patrões em causas que ele não deveria ter ganho da forma como ganhou. Para ele foi muito bom, mas muitas emissoras deixaram de trabalhar com esporte em razão de causas monumentais que tiveram de pagar a muitos empregados gananciosos e muita gente ficou desempregada. Interessante é que a maior parte dos que agem assim são, via de regra, os piores profissionais e os piores caracteres. Não era o caso desse profissional de Rio Claro, talvez o melhor do país em sua função.
    Mas a CLT é assim mesmo, injusta, injustíssima
    e só olha um lado da demanda.
    Os clubes do interior deveriam se unir, a partir de São Paulo, Paraná, Minas, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que têm os melhores estaduais e, em conjunto, realizar um gigantesco movimento de protesto.
    Deveria ser um movimento de abrangência nacional, suspendendo as atividades por tempo indeterminado, protestando veementemente contra esse estado de coisas decorrente da Lei Pelé, da CLT e do calendário,que os mina e destrói a cada dia. O número de desempregados decorrentes da ação de um movimento como esse provocaria um grave problema social e obrigaria o governo, os políticos, as federações e a CBF a tomarem providências para resolver a grave situação.
    Terminando, quero citar a hipocrisia do Sebrae e de outros órgãos governamentais quando fazem campanhas pelo empreendedorismo, visando a formar e criar novos empresários e novas emrpesas em multiplos setores.
    Com tanto imposto, tantas taxas, Imposto de Renda, com tantas armadilhas legais, visitas constantes de fiscais opressores e incompreensivos, e, principalmente com a CLT, eu não quero abrir porta empresarial nem para bancar carteado. Muito menos, ainda, para ter um clube de futebol.
    Alcides Drummond

    Jota, espero que a postagem, em prestações tenha saido intelígível. Se não saiu, pode eliminar.

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  5. Muito obrigado pelos seus comentários, Alcides.
    Enriqueceu o espaço ( como sempre acontece quando envia seus posts ).
    Tenho certeza que o "público" do blog irá analisar e refletir seriamente em cima de suas colocações, de suas reflexões.

    abraço e Bom Domingo !!!

    jota

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  6. Belo texto, Alcides, parabéns
    keller

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  7. Jota
    Em parte o Alcides pode estar correto, porem colocar somente a culpa em terceiros não justifica, a vida hoje em dia é muito dinâmica e profissional e a maioria dos nossos dirigentes estão ultrapassados, se a situação esta dificil porque todos os presidentes de clubes pequenos foram a favor da reeleição do presidente da Federação Paulista de Futebol que esta no poder desde 2003? Perpetuar alguem no poder em qualquer cargo em um pais democratico é sinonimo de estarem contente com a gestão e portanto não podem reclamar.
    Abraços
    Roberto Carlos

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