sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

NATAL FELIZ....E TRÁGICO

Natal de 2004.

Foi uma linda noite.
A família se abraçando, muitas fotos, beijos, profundo carinho.

Meu irmão, sempre avesso a essas datas, naquele ano DECIDIU que teríamos uma árvore de Natal na sala, troca de presentes e tudo a que o Natal tinha direito.

Todos estranharam, porque em todos os anos anteriores, ele, meu irmão, se fechava no quarto e não participava das comemorações da noite festiva do dia 24, véspera de Natal.

Ele se encarregou de comprar a árvore, montá-la, e de convocar a todos para que colocassem os presentes debaixo dela.

Naquela noite de 24 de dezembro de 2004 tudo correu maravilhosamente bem.
Pairava no ar o clima natalino.
Risadas altas, "causos" sendo contados, brincadeiras, corações escancarados, as luzes dos flashes, mesa servida, crianças correndo pela sala, pessoas estreando roupas especialmente adquiridas para o evento.

A troca de presentes foi animadíssima. Festiva. Cheia de Luz.
Meu irmão nem esperou o final dela para entregar à sua esposa o presente de aniversário, que só ocorreria dias depois, no 2 de janeiro.

Todos perguntaram: mas por que o presente agora, se ela só faz aniversário no dia 2?

Não houve resposta por parte dele.

Enfim, depois de muito tempo, tivemos um Natal em família como manda o figurino.
Todos disseram que foi um dos mais lindos de todos os tempos.

Na ressaca do dia seguinte, o assunto era só esse.

E meu irmão foi o grande mentor daquela noite de 24 de dezembro.

Cuidou de tudo.
Como sempre fazia em nossas viagens de férias.

Três dias depois foi à uma de suas diversões prediletas: a pescaria.
Ficou à beira-mar, sentado nas pedras, das 6 da manhã até às cinco da tarde, sob um sol de quase 40 graus.
Voltou reclamando que estava um pouco resfriado.

Na manhã do dia 29 ele nos deixou.
Partiu repentinamente.
Precocentemente.
52 anos de idade, apenas.

Aquele Natal que ele programou foi o da sua despedida de toda a família.

Minha saudade e minha homenagem a Pedro Luiz Francischangelis.

8 comentários:

  1. Bacana essa homenagem Jota. Bacana!

    Eu sou carne e unha com meu irmão e ler isso me emociona!

    Grande abraço

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  2. Valeu, Fernando.
    Meu irmão Pedro foi um grande amigo, me ajudou demais principalmente no inicio da minha profissão.
    Arrojado, destemido, altruista, um GRANDE CARA.

    Faz falta.

    abraço, amigo.
    jota

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  3. JOTA

    Eu estava há poucos km´s de vcs, em Peruíbe... se não me engano vcs em Itanhaem... e não só por isso marcou muito prá mim a passagem do Pedrão... não que tenhamos sido grandes amigos... mas, o pouco que nos vimos foi o suficiente para eu admirar seu estilo de trabalho. Pessoa autêntica, além de todos os predicados que vc tão bem colocou...
    Imagino a dor ... somos em oito na casa do "seo" João e "dona" Diva e ainda temos o privilégio, que, nem sempre valorizamos, de estarmos todos por aqui... grande exemplo de novo "capitão".
    Por mais essa ... obrigado. Forte abraço.

    PAULOFILÉ

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  4. Jota
    Esta mudança de corportamento do seu irmão em seu ultimo Natal é mais um daqueles mistérios da vida, será que ele sabia que seria seu ultimo Natal e por isso festejou com a familia? porem muitas vezes a gente muda os habitos e nem por isso morremos,situações como essa são duvidas que ficarão para o resto de nossa vida.
    Abraços
    Roberto Carlos

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  5. Amigos, Paulo e Roberto, obrigado pelos depoimentos.
    Boa semana!!!
    abraço
    jota

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  6. Orlando, João Pessoa/PB14 de dezembro de 2009 17:04

    Oi, Jota, tudo bem?

    Desculpe, mas só hoje li esse seu belíssimo post.

    Leio esse seu texto, Jota, com a sua permissão, como um conto. Narrativa concisa, cativante e comovente. É..., como você disse, e concordo, "Natal feliz... e trágico".

    Num post meu bem anterior, escrevi sobre a perda de alguém muito especial para mim. Lembra?

    Na ocasião, eu comentava um post seu sobre a perda de seu pai. Pois, é... No último dia 02, a minha perda ccompletou um ano. Então, daqui a poucos dias, terei o segundo Natal triste e saudoso, e ainda choroso. Vazio, oco, novamente.

    Pessoas boas não deveriam morrer. Mas, a despeito da nossa vontade e do nosso amor, elas morrem. E o que dói mais é o fato de que não podemos ir com elas. Por alguma razão, temos que ficar mais um tempo por aqui fazendo o que der para fazer, vivendo a vida da melhor formar que podermos viver... Isso é terrível, cruel, trágico e tirano; mas é a pura e dura realidade que nos agarra e tenta, com suas garras de aço, nos derrubar e vencer.

    Contra isso, temos as boas lembranças vivas da vida deliciada na companhia de quem, para nós, parece apenas ter ido ali, não muito longe, e que,a qualquer momento, voltará.

    Um grande abraço, Jota.

    Orlando

    P.S.: Parabéns pela veia literária. Você deveria exercê-la mais.

    Orlando

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  7. Obrigado, Orlando.
    A morte é dura, cruel, mas nos ensina muita coisa. Ela nos chama à realidade da natureza.
    O importante é saber que a vida espiritual é que vale, embora seja dificil, muito dificil, perder os entes queridos, mesmo que momentaneamente.
    Mas no fundo, a gente sabe que a verdadeira vida não é esta aqui.
    Apenas uma etapa de tantas jornadas.

    abraço, amigo.
    Luz no seu coração.

    jota

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  8. JOTA

    Confesso que às vezes, dou uma "sapeada" nas opiniões dos BLOG´S, não muitos mas, o seu com certeza, pelo nível das pessoas que O "frequentam" e deixam seus pareceres sobre suas narrativas...
    Umas nos dizem mais, outras menos... mas a do amigo de João Pessoa, o "seo" Orlando é digna de uma grande admiração... a gente nota ser alguém do bem... que lá longe, no outro extremo do país... pensa como a gente.
    Valeu Jota, valeu "seo" Orlando, valeu Bill Gates pela tecnologia...

    Forte abraço

    PAULOFILÉ

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