segunda-feira, 6 de julho de 2009

7 DE JULHO DE 1996

Neste 7 de julho, permitam um registro, que foi dos mais tristes na minha vida.

7 de julho de 1996.
Um domingo.
6 da manhã.

Eu estava em São Paulo e naquele dia tinha duas escalas a cumprir pela TV Bandeirantes.

Às nove da manhã uma corrida de motovelocidade, transmissão dos estúdios.
À tarde, a gravação de um jogo no Morumbi.

Mas às seis da manhã o telefone tocou.

A notícia foi perfurante. Me cortou a alma e o coração.

Falecia em Americana o meu querido pai.

Seu Juca não estava bem há um bom tempo.
Vira e mexe precisava ser internado, mas logo retornava pra casa.

Mas seu quadro era grave, diziam os médicos.
Seu desenlace era esperado.

Naquele horário e naquelas circunstâncias, senti que nada podia ser feito para uma troca da escala. Os demais companheiros narradores estavam em viagem para outros trabalhos.

O máximo que consegui foi me livrar da gravação no Morumbi, que seria no periodo da tarde.

Resultado: fui transmitir a corrida de motovelocidade.

Enquanto meus familiares cuidavam do enterro de meu pai, eu fazia um grande esforço para desempenhar as minhas funções na jornada, sem deixar transparecer a minha dor profunda.

Por volta das onze da manhã encerrei a transmissão e peguei a estrada.

Foram 120 quilometros de choro, lembranças da infancia, juventude, do que meu pai representou para a minha vida.

Lá pelas 13 horas eu já estava ao lado do corpo de meu pai. O sepultamento aconteceu às cinco da tarde.

Já se passaram 13 anos.
Sei que hoje ele já está trabalhando em outra esfera, plenamente restabelecido, pois o corpo espiritual jamais perece.
Morre a matéria, apenas.

Foi um grande amigo.
Nós nos amávamos, embora tenhamos tido contratempos em vários momentos da nossa existência. A vida é exatamente para isso. É para nos amarmos, divergirmos, e buscar consenso em muitos dos temas do cotidiano.

Grande beijo, querido pai.

** dois dias depois do passamento, recebi um telefonema do diretor-presidente da Rede Bandeirantes, o inesquecível João Jorge Saad, se solidarizando pelo ocorrido e me parabenizando pela coragem de ir para o ar, mesmo com a notícia da morte de meu pai.

Seu João deu mais um exemplo de extraordinária sensibilidade e de amor ao próximo.
Ele jamais deixou de ser humano com seus funcionários. E sofria quando tinha de ocorrer demissões ou medidas drásticas de praxe.

Senti muito quando ele, seu João, teve de deixar a matéria. A Band perdeu seu grande timoneiro. Seu mentor. A sua alma.

16 comentários:

  1. SINTO MUITO JOTA. PARABÉNS PELA ATITUDE E PELO PROFISSIONALISMO. É POR ISSO QUE MESMO VOCÊ NARRANDO UM JOGO DE UM TIME QUE NÃO É O MEU EU FAÇO QUESTÃO DE TE ASSISTIR POIS TE ACHO O MELHOR PROFISSIONAL JORNALISTA DO FUTEBOL BRASILEIRO. NÃO É TE PUXANDO O SACO NÃO, É QUE VOCÊ DESEMPENHA SEU PAPEL DE FORMA AGRADÁVEL E SÉRIA.SEI BEM O QUE É PERDER UMA PESSOA DA FAMÍLIA MUITO QUERIDA. NUNCA CICATRIZA E NUNCA PÁRA DE DOER. MAS TEMOS QUE NOS CONFORMAR COM O DESTINO.
    ABRAÇOS JOTA E FORÇA NO SEU CORAÇÃO.
    SINTO MUITO PELA PERDA DO SEU PAI.

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  2. Valeu, Hermes.
    Obrigado, amigo.
    O tempo se encarrega de acalmar o nosso coração.
    Passados 13 anos, hoje ocorre uma saudade gostosa de meu querido pai. Uma saudade positiva.
    E a certeza de que ele já está na ativa em outra dimensão, pois ninguém descansa.
    abração.
    jota

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  3. JOTA

    Taí mais uma que eu não conhecia... afinal esta é do tempo do JOPEPA(tá vendo como vc também não sabe de coisas que eu sei?)Pois é, cheguei de Pira depois da "era do point" mas, nem por isso deixei de ficar sabendo dos momentos legais ao lado do Kennedy com todos os adolescentes/estudantes se reunindo por ali. Minha "segunda casa" e primeira em Americana foi a residência do "seo" Toti e "dona" Tina (famlília Elias Romanelli), pois, a Cuca era amiga irmã das filhas(Madalena e Rosana) e eu muito amigo do Zé Romanelli, moravam na esquina da Pres.Vargas... início da década de 80 e de minha vida de "americanense" (aliás, já vivi mais aqui na terrinha que em Pira... 54 = 29 Americana x 25 Piracicaba- parece basquete ou seria hand?). Pois bem, quanto ao seu profissionalismo não me espanta... apesar da enorme dor que devia estar sentindo, honrou o compromisso pelo dever da informação... grande JOTA!!!
    Que neste 7 de Julho, os ensinamentos do "seo" João o façam entender melhor a sua própria ausência, pois, vcs sabem o quanto de positivo ele deixou perpetuado em suas atitudes, vc, Pedrão(lá no Céu com "seo" João) e Paulinho.

    Forte abraço

    PAULOFILÉ

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  4. Jota
    Nos últimos meses tenho conversado muito com você, a morte dos meus pais de maneira prematura´ainda é um desafio para o meu entendimento, principalmente o desligamento da minha mamãe.
    Conheci o seu pai.......ele era uma FIGURA.
    FELICIDADES e tenho orgulho em dizer que sou seu companheiro de trabalho na rádio VOX 90 de Americana (SP).
    Um abraço e SEJA FELIZ !!!

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  5. Paulo Filé, que lembranças gostosas sobre o JOPEPÁ, hein????
    Passagem maravilhosa de centenas de jovens americanenses.
    Seu Juca comandava a lanchonete com mão de ferro, lembra???
    Não vendia nada de álcool....( moçada reclamava direto )......Mas estava ao lado de uma escola, e ele agiu certo.......
    E qto à vc......poderiamos dizer que tu és um PIRACICANENSE........eheheheheheh

    abraço
    jota

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  6. Keller, grande amigo.
    Seu Juca realmente era uma figura.
    Coração gigante de bondade.
    Errou na vida, como todos erram. E nós aqui ainda seguimos errando.
    Aliás, ninguém que aqui está é perfeito. TODOS ERRAMOS......([e o nosso estágio de crescimento espiritual).........
    Essa passagem por aqui é para aprender....ERRANDO.........certo????
    abração, amigão.
    jota

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  7. Simplesmente maravilhoso, cada vez te admiro mais , voce é grande demais .

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  8. Muito obrigado pelo carinho, Leme.
    abraço
    jota

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  9. JOTA

    PIRACICANENSE já adotei... valeu!

    Abs

    PAULOFILÉ

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  10. Jota,

    Grande profissional. Por essas atitudes fica impossível deixar de ler seus textos e assisti-lo nas transmissões do "canal Campeão".

    Espero um dia poder conhecê-lo pessoalmente.

    Grande abraço, meu amigo.

    Fernando Richter

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  11. Fernando, será muito legal a gente se conhecer pessoalmente.

    Abraço
    jota

    Obrigado.

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  12. Poxa Jota, muita força. Parabéns pelo exemplo de jornalista e de ser humano que és.

    Grande abraço.

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  13. Você é um grande exemplo de profissional, Jota. É, sem dúvida, um espelho para todos nós. Sabemos que seu pai está em missões em outros planos, missões essas que caberão a todos nós, um dia, quando deixarmos este plano.

    Amigo, grande abraço e ótima semana!

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  14. Pedro e Allan, obrigado amigos.
    São fatos de nossas vidas.
    Acontecimentos que temos de administrar, ou pelo menos "procurar" gerenciar.

    abraço
    jota

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  15. Orlando, de João Pessoa/PB10 de julho de 2009 17:40

    Olá, Jota
    Li o seu texto sobre a dolorosa perda do seu pai. Chorei, porque no último dezembro perdi uma pessoa muito amada. Até agora, sete meses depois, não me recuperei da dor. Acho que nunca me recuperarei. Sigo em frente. Sigamos em frente. Isso é tudo o que podemos fazer a respeito.
    Um forte abraço, Jota.
    Orlando

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  16. Orlando, a perda de alguém querido é muito dolorosa, realmente.
    Mas o tempo vai se encarregando de nos dar algum conforto e de ter saudades mais amenas.
    Hoje, passados 13 anos do passamento de meu pai, consigo lembrar dele com alegria e dos bons momentos que passamos.

    Há quase cinco anos perdi um irmão mais novo.
    Já consigo ter lembranças gostosas da convivencia com ele e a dor é menor.

    Mas é como vc disse. O jeito é tocar o barco.
    Seguir sempre em frente. A vida continua ( pra nós que ficamos e para eles que vão ).
    Ninguém morre. É só a matéria.

    abraço
    jota

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