quinta-feira, 30 de abril de 2009

UM DOMINGO TÉTRICO

Naquele "primeiro de maio" de 1994 eu acordei cedo e fiz algo que dificilmente fazia.

E o fiz principalmente pelo que havia ocorrido nos treinos para a corrida daquele domingo, ou seja, os acidentes e a morte de um piloto.

Particularmente achei um absurdo que aquele GP não tivesse sido cancelado.

Mas liguei a televisão e antes da largada fui lendo os jornais do dia.

Entre uma notícia e outra, olhei para a telinha e vi aquela imagem que depois ficou marcada, a de Senna com o semblante fechado nos boxes, como a reprovar a realização da prova ou a pressentir algo muito pior.

Dada a largada e logo depois o que todo o planeta viu, sentiu, chocou-se e chorou.

Eu ia para São Paulo transmitir um clássico no Morumbi - nem me lembro qual - e ainda tinha o encargo de levar meu filho e um amigo para a Capital.

Pegamos a estrada e de ouvidos no rádio fomos acompanhando todo o drama envolvendo o noticiário sobre o nosso grande campeão. Que na verdade já deixou o autódromo sem vida.

Foi um domingo tétrico.

Me lembro de saber da confirmação oficial da morte de Ayrton pelo placar eletronico do Morumbi, pouco depois de uma da tarde, antes do nosso trabalho pela Band.

As pessoas chegavam ao estádio abatidas, pálidas, meio que não acreditando no que havia ocorrido. O Brasil chorava de dor. Era um sentimento de perda de alguém da família.

Correu o papo de que não haveria a rodada. Mas a insensibilidade dos dirigentes brasileiros também deu de ombros para o lamentável acontecimento. E a bola rolou.

Mas rolou sem nenhuma graça. Sem a emoção que o futebol proporciona.

Os torcedores olhavam para o gramado, mas o coração e a mente estavam distantes.

Foi um dos domingos mais tristes que o brasileiro teve. É claro que lágrimas caíram por todo o Planeta, mas foi aqui que a dor se apresentou como muito maior.

Tudo isso foi há 15 anos. Num "Primeiro de Maio" que jamais será esquecido.

Senna foi vítima de um acidente até hoje mal explicado. Mal definido. Há muitos interesses comerciais no mundinho da F1. Qualquer responsabilidade que se assumisse nesse processo poderia manchar marcas e fabricantes, além da própria diretoria da Federação.

Porque, na verdade, aos homens riquíssimos da categoria só interessam os resultados. Pilotos são bonequinhos que sentam nos bólidos. São meros detalhes para os frios e calculistas executivos da F1.

Aproveito para substituir "frios e calculistas" por DESUMANOS.

Não há outra definição.

3 comentários:

  1. Jota,

    SENSACIONAL O SEU TEXTO! Sou um fã numero um de Ayrton. Saudades do nosso eterno campeão

    Abs,

    Fernando Richter

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  2. Caro amigo Jota

    Parabéns pelo seu texto não há mesmo outra definição para aqueles executivos da época, pois já haviam perdido o piloto Roland Ratzenberger nos treinos de sexta a batida de Rubens Barrichelo graças a Deus sem muitas consequencias graves, foram "desumanos" mesmo. O classico no Morumbi foi São Paulo e Palmeiras em as torcidas se uniram para homenagear nosso herói da época em que o juiz que nem brasileiro era parou a partida e fez um minuto de silêncio e que o grande Cesar Sampaio ajoelhou-se e rezou, foi um dia triste e marcante para nós brasileiros.

    Abraços


    Emerson Mateus

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  3. JOTA

    Perfeito como sempre!
    No meu caso, vi a largada (interrompida) e fui prô Iate, bater uma bolinha (a "pequeninha" que sempre joguei, rsrsrsrs...),fui ouvindo a PAN, mas, cheguei lá, o jogo começou, me distrai... após o jogo, aquela cervejinha com a galera e fui prá casa.
    Ao entrar, vejo meu filho Gabriel, na época com 14 anos, cara fechada, me perguntando: "Vc viu Pai?" Respondi o óbvio... "o que foi meu filho?" A resposta...e numa fração de segundo (antes da resposta de meu filho)me veio a lembrança do acidente e pensei... não... e pensei errado, a resposta era sim...
    "Desmontei", caí em prantos perante meu filho que até mostrou-se assustado com minha reação.
    É que naquele momento morria mais que um corredor brasileiro de fórmula I. Morria talvez o maior ídolo de toda história deste País (tão carente de boas referências).
    Depois disso, qualquer esporte de velocidade deixou de ser esporte para mim... isto não é justo, trata-se apenas de um jogo financeiro, a grana pela grana... Me lembro da manchete do Jornal da Tarde no dia seguinte: Foto do Ayrton com "olhar no horizonte" e a legenda dizendo: "Ele não queria correr..."
    Mas, o patrão(dono da escuderia) determinou assim e assim foi...
    Que pena... ele nos daria ainda muitas alegrias...nas manhãs de domingo, que, para mim, nunca mais serão as mesmas...

    Forte abraço

    PAULOFILÉ
    http://paulofile.blogspot.com/

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