quarta-feira, 18 de março de 2009

AVENTURA NO PARAGUAI

Corria o ano de 1977 e eu trabalhava na rádio Gazeta de São Paulo.

A Gazetinha era na época o "primo pobre" das emissoras da capital. O faturamento era inferior às concorrentes e os salários da equipe eram os menores do mercado paulistano.

Houve um jogo em Assunção, Paraguai, que confesso não me lembrar com qual equipe brasileira ( mas devia ser importante, porque a Gazeta esteve presente ) e me escalaram para essa transmissão.
Com um detalhe: viajaria sozinho, sem comentarista, repórter, nem operador técnico.

A alegação foi de contenção de despesas. Não havia verba para enviar toda a equipe.

Uns dias antes, recebi as instruções sobre como instalar os amplificadores, através dos competentes operadores da Gazeta, fiz um esqueminha pra não esquecer e lá fui embora.

Já no Paraguai senti um clima pesado no hotel, porque os operadores de Bandeirantes, Jovem Pan, Tupi (ainda estava no ar a famosa equipe 1040), Capital, e Globo/Nacional, souberam que a Gazeta não tinha enviado o profissional da área técnica.

Diante disso, fizeram um pacto de "boicotar" qualquer tipo de ajuda ao locutor da Gazeta ( EU ) caso houvesse problema na transmissão, em solidariedade aos colegas que não viajaram.

Chegamos ao estádio Defensores del Chaco, no bairro de Puerto Sajonia, e me aventurei em ligar os "fios" das maletas e tentar falar com o Brasil.

Chequei o esqueminha e aparentemente estava tudo certo.

Veio, então, a expectativa pelo contato com a central técnica da Gazeta ( José Monteiro Filho, Dorival Gaetta e equipe). "Alo Gazeta.....alo São Paulo.....alo Brasil....."". E nada.

Procurei os técnicos da operadora paraguaia, os caras checaram os circuitos, e nada.

Com o canto dos olhos eu via uma certa satisfação entre os operadores das demais rádios brasileiras pelo fato da Gazeta não conseguir "falar". Tipo: "Quem mandou não enviar um operador????"".

Recém chegado ao rádio paulistano, mal conhecendo os profissionais, ainda tentei pedir ajuda aos operadores, mas ninguém se dispos a ajudar a esse caipira do interior.

O jogo acabou e não consegui fazer a jornada.

Jamais quis acreditar que tivesse havido algum tipo de boicote brasileiro em pleno estádio paraguaio. Preferi acreditar que o problema esteve exatamente no circuito que ligava Assunção ao Brasil, bloqueando o canal que a Gazeta utilizaria.

Mas a partir desse fato, a Gazeta nunca mais deixou de mandar operadores aos estádios fora do País.

3 comentários:

  1. Que situação hein Jota!

    Mais uma vez muito obrigado por compartilhar conosco essas histórias de sua brilhante carreira!


    abraço, amigo!

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  2. Grande Jota!! Isso não se faz com um camarada como você!!

    Por falar em rádios , há de se elogiar a Rádio Gaúcha. Sempre manda um narrador , um repórter e um operador para qualquer lugar onde Grêmio , Inter e até Seleção Brasileira joguem fora de Porto Alegre.

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  3. Alexandre Salvador19 de março de 2009 04:57

    É nessas horas que se tem de amar muito a profissão. Não sei não se eu já teria jogado o boné....hehehe!

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